<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4416987233096623736</id><updated>2011-12-30T17:33:26.802-02:00</updated><category term='ARTIGOS - &quot;Perplexidades e Reflexões&quot;'/><category term='ARTIGOS Folha de S.Paulo'/><category term='POEMAS'/><title type='text'>"PERPLEXIDADES E REFLEXÕES"</title><subtitle type='html'>Cláudio Guimarães dos Santos</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://perplexidadesereflexoes.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4416987233096623736/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://perplexidadesereflexoes.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Cláudio Guimarães dos Santos, 1960</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15106137975781084077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_Tk75_V6lESo/StZNINW1zJI/AAAAAAAAACQ/HtXxrfrc7C4/S220/claudioguimaraes-1.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>22</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4416987233096623736.post-499369902040151038</id><published>2011-03-13T14:59:00.002-03:00</published><updated>2011-03-13T18:09:05.858-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ARTIGOS Folha de S.Paulo'/><title type='text'>Qualidade de morte</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;CLÁUDIO GUIMARÃES DOS SANTOS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;FOLHA DE SÃO PAULO&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;TENDÊNCIAS/DEBATES&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;09 de março de 2011&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Ainda que a pobreza torne a vida difícil, é ingênuo pensar que a riqueza, por si só, seja capaz de resolver os enigmas que a existência nos impõe &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até meados do século 20, dava quase na mesma ser pobre ou rico na hora de morrer: iam-se todos de modo semelhante, pois as doenças ignoravam privilégios. Diante da tuberculose, por exemplo, não havia ouro que comprasse sofrimento menor ou alguma sobrevida: morriam afogados, na derradeira hemoptise, tanto os operários de Manchester estudados por Engels como os burgueses dos quais nos fala Thomas Mann em "A Montanha Mágica".&lt;br /&gt;Com o avanço da ciência, porém, tudo parece ter mudado. Hoje há muitos que acreditam que o dinheiro, além de comprar uma vida mais "rica", também garante a qualidade da morte: por meio dele, os abastados despedem-se deste mundo no ambiente glamuroso de "hospitais-boutique", sob os cuidados dos "médicos da moda". Mas será que as coisas são tão simples?&lt;br /&gt;Por um lado, ainda que a pobreza torne a vida difícil, é ingênuo pensar que a riqueza, por si só, seja capaz de resolver os enigmas que a existência nos impõe, magnatas ou não. E o remorso não raro corrói a paga que os "eleitos" recebem por sua ganância. Se isso não é tão claro, é porque a maioria das pessoas desconhece a intimidade dos poderosos, sempre dilacerada por conflitos: os psicoterapeutas e os próprios poderosos sabem bem do que falo.&lt;br /&gt;Por outro lado, o acesso à medicina "de ponta" nem sempre é garantia de boa recuperação ou de morte tranquila, além de dar origem a paradoxos.&lt;br /&gt;Um exemplo é a angústia que destrói a saúde dos que sofrem, no presente, com as moléstias que -imaginam- terão no futuro. Martirizam-se, assim, por não terem um plano de saúde "top", o qual já se tornou, ao lado do carro "zero", o atual sonho de consumo. Para essa angústia contribuem, crucialmente, a propaganda dos centros diagnósticos -que não param de crescer- e a ingenuidade de médicos que confundem prevenção com obsessão por doenças.&lt;br /&gt;Outro exemplo é o caso dos doentes terminais mantidos vivos mesmo à custa de muita dor, bem como a insensatez de uma legislação que proíbe a eutanásia para as pessoas que dela necessitam, condenando-as, cruelmente, ao papel de axiomas de grotesca tese: a de que a vida deve ser sempre preservada, "coûte que coûte"...&lt;br /&gt;Mas, já que a morte segue inevitável -muito embora a publicidade procure nos convencer de que somos imortais-, não seria melhor que encarássemos a vida de outro modo, empregando-a não só para "conquistar um lugar ao sol" mas também para aceitar um "cantinho" nas sombras para onde iremos todos? Não seria importante que aprendêssemos a morrer, buscando, se preciso, nas ideias de outras épocas a espiritualidade que tanta falta nos faz?&lt;br /&gt;Infelizmente, não é o que vemos.&lt;br /&gt;Ao ideal da morte honrosa dos gregos, da morte-libertação dos gnósticos, da boa morte dos cristãos medievais, da morte heroica dos românticos, nós contrapomos a "morte segura" no leito high-tech de um hospital chique, transfixados por catéteres e "plugados" na TV. Uma morte que é o símbolo perfeito da doença que acomete a nossa civilização e que, decerto, vai matá-la: o conformismo hedonista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;________________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CLÁUDIO L. N. GUIMARÃES DOS SANTOS, 50, escritor, artista plástico, médico e diplomata, é mestre em artes pela ECA-USP e doutor em linguística pela Universidade de Toulouse-Le Mirail (França). Blog: &lt;a href="http://perplexidadesereflexoes.blogspot.com/"&gt;http://perplexidadesereflexoes.blogspot.com/&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4416987233096623736-499369902040151038?l=perplexidadesereflexoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://perplexidadesereflexoes.blogspot.com/feeds/499369902040151038/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4416987233096623736&amp;postID=499369902040151038&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4416987233096623736/posts/default/499369902040151038'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4416987233096623736/posts/default/499369902040151038'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://perplexidadesereflexoes.blogspot.com/2011/03/qualidade-de-morte.html' title='Qualidade de morte'/><author><name>Cláudio Guimarães dos Santos, 1960</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15106137975781084077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_Tk75_V6lESo/StZNINW1zJI/AAAAAAAAACQ/HtXxrfrc7C4/S220/claudioguimaraes-1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4416987233096623736.post-5660168234118308712</id><published>2011-03-13T14:38:00.002-03:00</published><updated>2011-03-13T14:49:32.884-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ARTIGOS Folha de S.Paulo'/><title type='text'>Quem tem medo da verdade?</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;CLÁUDIO GUIMARÃES DOS SANTOS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;FOLHA DE SÃO PAULO&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;TENDÊNCIAS/DEBATES&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;05 de fevereiro de 2010&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Será que a realidade é tão nítida? Se vamos buscar a verdade, é preciso fazê-lo de maneira verdadeira, e não à custa de sofismas &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A RECENTE divulgação da terceira edição do Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), com a sua polêmica comissão da verdade, acendeu um debate que é visto por alguns como uma espécie de cruzada entre um "eixo do bem" (o dos verdadeiros) e um outro, "do mal" (o dos mentirosos).&lt;br /&gt;Mas será que a realidade é assim tão nítida? Será que a verdade é um valor inegociável neste Brasil pré-olímpico e já eleitoral? Ou será que o viés ideológico não contamina tal debate, impedindo que se veja que o "mundo lá fora" não é preto nem branco, que a natureza abomina maniqueísmos e que a vida humana, quando se torna história, reveste-se de nuances infinitas, as quais somente a inteligência mais sutil é capaz de penetrar?&lt;br /&gt;A discussão acerca da punição aos envolvidos na lutas travadas durante o regime militar é, quanto a isso, emblemática. Não conheço ser humano normal capaz de discordar de que a tortura é um ato vil e covarde e de que qualquer torturador merece pena exemplar, tenha ele agido nos DOI-Codi brasileiros, na prisão de Guantánamo ou nos calabouços de Fidel.&lt;br /&gt;Tal fato, porém, por si só não permite concluir que as vítimas do arbítrio no Brasil tenham sido -todas elas- defensoras fervorosas das liberdades democráticas, como sugerem os inúmeros filmes, livros e depoimentos vindos à luz nos últimos tempos, e que parecem almejar -salvo engano- menos a punição dos torturadores do que a glamourização da própria guerrilha, chegando mesmo, em alguns casos, à "quase beatificação" de algumas das suas lideranças.&lt;br /&gt;A verdade é que a análise do ideário dos grupos de resistência armada demonstra facilmente que, neles, não havia muito espaço para o "mito burguês" da democracia; que os poucos democratas que os integravam somente lograram sê-lo em sofrida oposição ao totalitarismo vigente nesses grupos; e que era mais fácil encontrar defensores da causa democrática entre os membros do MDB -como o saudoso dr. Ulysses- que insistiam na luta parlamentar (apesar das severas restrições impostas ao Congresso Nacional) do que entre os que optaram por expropriações, sequestros e justiçamentos.&lt;br /&gt;(É provável que, hoje, já mais velhos, muitos dos que pegaram em armas sejam capazes de perceber o erro estratégico que cometeram, pois a verdade é que os "brucutus linhas-duras" dificilmente teriam tido o despudor de ir tão longe no desrespeito aos direitos humanos se a própria guerrilha não houvesse criado uma situação de não retorno, imune a negociações. E é até possível que alguns dos que lutaram tenham feito a autocrítica e estejam sendo sinceros quando dizem que agora são "100% democratas".&lt;br /&gt;Todavia, é pelo menos duvidoso que, naqueles tempos de "foquismo" e de "revolução na revolução", os seus objetivos fossem assim tão pacíficos e que teriam, caso tivessem tomado o poder, respeitado integralmente os direitos fundamentais dos seus adversários.&lt;br /&gt;A história está repleta de grupos libertários que lutaram contra regimes iníquos e que acabaram, todavia, tornando-se ainda mais odiosos do que os antigos opressores.)&lt;br /&gt;Um outro exemplo de simplificação histórica grosseira é o mau hábito de certos autores de livros didáticos que insistem em falar "em bloco" sobre o regime militar. Confundem-se, nesses "tratados", com triunfante ignorância -ou rematada má-fé-, os diferentes governos do período, que são todos condenados como se nada de construtivo houvessem feito. Felizmente, esse viés caricato já há muito deixou de ser empregado pelos estudiosos realmente sérios.&lt;br /&gt;Assim, só para dar um exemplo, qualquer especialista sabe bem a diferença entre as políticas exteriores dos governos Castelo e Geisel: o primeiro alinhou-se caninamente aos Estados Unidos, e o segundo, ao contrário, com a doutrina do pragmatismo responsável, foi um continuador criativo da política externa independente, formulada ainda no pré-64 por políticos ideologicamente tão diversos como Afonso Arinos e San Tiago Dantas.&lt;br /&gt;Ignorar tais fatos, reduzindo o regime militar ao AI-5, é o mesmo que dizer que Juscelino não foi Brasília nem o Plano de Metas, mas só inflação; que o Estado Novo não foi Volta Redonda nem a CLT, mas só Filinto Müller; que o próprio Lula não são os programas sociais e a bem-sucedida diplomacia presidencial, mas tão somente a explosão dos gastos correntes e a possibilidade assustadora do retorno da censura à imprensa, desta feita por razões "politicamente corretas".&lt;br /&gt;Ora, se vamos mesmo buscar a verdade, é preciso que o façamos de maneira verdadeira, e não à custa de sofismas que só denotam a paranoia dos que vivem da mistificação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;____________________________&lt;br /&gt;CLÁUDIO GUIMARÃES DOS SANTOS, 49, médico, psicoterapeuta e neurocientista, é escritor, artista plástico, mestre em artes pela ECA-USP e doutor em linguística pela Universidade de Toulouse-Le Mirail (França). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4416987233096623736-5660168234118308712?l=perplexidadesereflexoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://perplexidadesereflexoes.blogspot.com/feeds/5660168234118308712/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4416987233096623736&amp;postID=5660168234118308712&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4416987233096623736/posts/default/5660168234118308712'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4416987233096623736/posts/default/5660168234118308712'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://perplexidadesereflexoes.blogspot.com/2011/03/quem-tem-medo-da-verdade.html' title='Quem tem medo da verdade?'/><author><name>Cláudio Guimarães dos Santos, 1960</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15106137975781084077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_Tk75_V6lESo/StZNINW1zJI/AAAAAAAAACQ/HtXxrfrc7C4/S220/claudioguimaraes-1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4416987233096623736.post-5400273105868390847</id><published>2011-03-13T14:22:00.003-03:00</published><updated>2011-03-13T14:50:21.199-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ARTIGOS Folha de S.Paulo'/><title type='text'>Deus é fiel</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;CLAÚDIO GUIMARÃES DOS SANTOS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;FOLHA DE SÃO PAULO&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SEÇÃO TENDÊNCIAS/DEBATES&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;12 de novembro de 2009&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Eis uma frase que vemos, atualmente, estampada por toda a parte. Mas, afinal, o que diabos significa dizer que Deus é fiel? &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;EIS UMA frase que vemos, atualmente, estampada por toda a parte: dos gigantescos outdoors aos vidros dos automóveis, sem falar dos templos, das traseiras de caminhões e das faixas ostentadas nas passeatas pop-evangélicas.&lt;br /&gt;Num outro momento e lugar, esse fato talvez não merecesse maiores considerações. Afinal, fanatismo religioso e proselitismo exagerado sempre houve neste "mundo de meu Deus", e por sua causa já muito se matou e se morreu.&lt;br /&gt;Todavia, não podemos esquecer que é de um "ungido" Brasil pré-eleitoral que estamos falando, ele mesmo situado numa América Latina "consagrada" a líderes messiânicos que se creem mais do que deuses.&lt;br /&gt;E, se apenas alguns deles ousam ser tão blasfemos a ponto de se compararem ao próprio Cristo, todos eles, sem exceção, desejam ver os seus mandatos religiosamente prorrogados "até o final dos tempos". Ou, se tal não for possível, devido às manobras da "maligna" oposição, esperam ao menos passar a faixa presidencial para o discípulo ou a discípula mais amada, na esperança de que, em breve, possam voltar -ressuscitados- ao poder que idolatram de forma luciferina.&lt;br /&gt;Cabe-nos, portanto, investigar, ainda que brevemente, o que diabos significa dizer que Deus é fiel.&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, não deixa de ser notável que, num mundo onde a infidelidade sempre foi a regra dominante (se é que desejamos ser fiéis à verdade), se procure atribuir a Deus, com especial relevância, não a qualidade de ser bondoso ou justo, mas a de ser fiel. E isso precisamente numa época em que reina a publicidade -a "sacerdotisa-mor" da mentira, a "deusa-mãe" do engodo- e na qual amigo trai amigo, os sacerdotes traem os seus rebanhos, os políticos os seus eleitores, os comerciantes os seus clientes etc.&lt;br /&gt;Não seria isso, talvez, algum tipo de "projeção compensadora", semelhante às discutidas por Freud, Marx, Nietzsche e Feuerbach, que visaria, ao jogar toda a luz sobre a divina perfeição, ocultar nas sombras a podridão humana?&lt;br /&gt;Por outro lado, quando dizemos que Deus é fiel -supondo que saibamos, na teoria e na prática, o que é fidelidade-, na mesma hora nos vem à mente uma questão: a quem, nesse caso, seria Ele fiel? Aos católicos que trucidaram protestantes ou aos protestantes que trucidaram católicos? Aos nazistas que assassinaram judeus nos campos de concentração ou aos israelenses que supliciam palestinos nos campos de refugiados? Aos muçulmanos que mataram "ocidentais" no 11 de Setembro ou aos "ocidentais" que massacram muçulmanos no Iraque e no Afeganistão? A Stálin, Pol Pot e Mao, que eliminaram dissidentes como matamos mosquitos, ou a Hitler, Mussolini e Franco, com suas terríveis atrocidades? Aos corintianos que esfolam palmeirenses (e vice-versa) ou aos cronistas esportivos que, por maldade ou ignorância, estimulam a violência nos estádios?&lt;br /&gt;Infelizmente, se examinarmos as coisas como de fato se apresentam -tendo a história como suprema corte, como dizia Hegel- e não com os benevolentes olhos do "outro mundo", forçoso será concluir que o Pai Eterno se mostra bem mais fiel aos que esbanjam dinheiro nos shoppings de luxo do que às crianças que se acabam nos semáforos da Pauliceia; aos que erguem as odiosas barreiras transnacionais do que aos migrantes de todas as latitudes que não se cansam de tentar atravessá-las; aos malandros que vendem a salvação neste ou n'outro mundo do que aos crédulos que tolamente a compram; enfim, aos malvados, desonestos e egoístas do que aos bons, corretos e solidários.&lt;br /&gt;Eu, que não sou teólogo, ouso crer, piedosamente, que Deus -se é que Ele existe- não é fiel a mortal algum, mas unicamente a Si mesmo, à Sua inextrincável complexidade, à Sua silenciosa incompreensibilidade, à Sua incognoscível natureza (incognoscível, quem sabe, até para Ele).&lt;br /&gt;O que nos resta, a nós mortais, se formos lúcidos, é o enfrentamento cotidiano da terrível solidão desses espaços infinitos, que tanto assustavam Pascal, e dos quais provavelmente não virá resposta alguma, sobretudo se as perguntas forem feitas por pseudossacerdotes ou por políticos de ego inflado.&lt;br /&gt;O que precisamos, no fim das contas, é ter coragem para lutar contra a tendência universal da humanidade a se curvar e a obedecer, que é muitíssimo maior do que qualquer eventual vontade de autonomia. Por causa dessa tendência, uns poucos "lobos" espertalhões são capazes de pastorear rebanhos gigantescos de "carneirinhos humanos", que se prostram agradecidos ao jugo do chicote, sempre contentes e -claro- fidelíssimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;________________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CLÁUDIO GUIMARÃES DOS SANTOS , 49, médico, psicoterapeuta e neurocientista, é escritor, artista plástico, mestre em artes pela ECA-USP e doutor em linguística pela Universidade de Toulouse-Le Mirail (França). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4416987233096623736-5400273105868390847?l=perplexidadesereflexoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://perplexidadesereflexoes.blogspot.com/feeds/5400273105868390847/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4416987233096623736&amp;postID=5400273105868390847&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4416987233096623736/posts/default/5400273105868390847'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4416987233096623736/posts/default/5400273105868390847'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://perplexidadesereflexoes.blogspot.com/2011/03/deus-e-fiel.html' title='Deus é fiel'/><author><name>Cláudio Guimarães dos Santos, 1960</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15106137975781084077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_Tk75_V6lESo/StZNINW1zJI/AAAAAAAAACQ/HtXxrfrc7C4/S220/claudioguimaraes-1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4416987233096623736.post-1393945957076461084</id><published>2011-03-13T14:13:00.002-03:00</published><updated>2011-03-13T14:50:51.520-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ARTIGOS Folha de S.Paulo'/><title type='text'>Independência ou morte?</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;CLÁUDIO GUIMARÃES DOS SANTOS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;FOLHA DE S.PAULO&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SEÇÃO TENDÊNCIAS/DEBATES&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;07 de setembro de 2009&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Em vez de um risonho verde-amarelo, os que têm olhos para ver deveriam pôr-se de luto neste mês de setembro &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;EM VEZ de um risonho verde-amarelo, os que têm olhos para ver deveriam pôr-se de luto neste mês de setembro. É bem verdade que existem os que já sonham com a fartura do pré-sal.&lt;br /&gt;Pois dele abusam, de forma eleitoreira, os publicistas do governo que só faltam profetizar, como fez o Conselheiro, que o sertão vai virar mar. É bem verdade que boa parte da classe média se regozija com os carrinhos "zero" e com as viagens a Miami que agora são possíveis pelo valor baixo do dólar -esse mesmo que corrói as nossas exportações.&lt;br /&gt;É bem verdade que os humildes comemoram a sua ascensão -da classe Z à X- graças ao Bolsa Família, que apenas perpetua o triste clientelismo que nos legou, entre outros, o pai dos pobres Getúlio Vargas (que alguns tentam imitar).&lt;br /&gt;Poucos, porém, se recordam dos tributos que nos escorcham a quase todos, uma vez que os poderosos, esses fazem o que querem, como ficou muito claro no "affair" Lina/Dilma e no caso Palocci. Para uns, resta a quebra desavergonhada dos sigilos bancários. Para outros, sorriem os fóruns privilegiados.&lt;br /&gt;Esquece-se amiúde que a democracia brasileira é capenguíssima, que os que votam, na maioria, são eleitores de curral, ainda que de um curral novíssimo -eletrônico e televisivo. Por meio dele, os marqueteiros, essa excrescência da sociedade pós-moderna, fabricam os novos eleitos, manipulando a opinião de quase cidadãos, os quais sucumbem, sem resistência. Os cinco séculos de abandono e deseducação, patrocinados, sobretudo, pelos "coronéis de m..." e pelos "cangaceiros de terceira categoria" -para nos servirmos de termos em voga no Senado-, é que os deixaram assim: omissos, submissos, meras vaquinhas de presépio.&lt;br /&gt;Raríssimas são as vozes que se erguem para dizer que há um Brasil legal (e perfumado) e um Brasil real (e fedorento); que a Justiça tarda e falha indecorosamente; que avançamos, a galope, para um caudilhismo plebiscitário tipo Chávez; que o governo tenta, a todo custo, atar as mãos do Ministério Público, uma das poucas instituições das quais (ainda) podemos nos orgulhar; que a representatividade dos eleitos é uma lorota; que a coerência ideológica dos partidos é nenhuma, sobretudo a do finado PT, que tantas saudades deixou do tempo em que abraçava as causas populares.&lt;br /&gt;À nossa volta, o que sentimos é uma gosma asquerosa que extravasa (aos borbotões) precisamente das bocas em que apenas a verdade deveria ressoar, que contamina quase tudo o que se vê, o que se ouve e o que se pensa. Num tal estado lastimável, só nos resta, talvez, sonhar.&lt;br /&gt;Que maravilha se ouvíssemos de certos advogados que eles não mais contribuiriam, com sua astúcia, para que os endinheirados permanecessem impunes. Que maravilha se as faculdades de direito só parissem tribunos vibrantes -combativos como os Gracos e éticos como Sócrates-, em vez de nos entupir com bacharéis ignorantes, vários deles arrivistas e venais.&lt;br /&gt;Que maravilha se os senadores, em vez de suprimir o Conselho de Ética, tivessem um insight moralizante e assumissem inteiramente os seus crimes. Como seria belo ver a tribuna do Senado, tantas vezes enxovalhada, refulgir com as confissões dos pecadores contritos.&lt;br /&gt;Que maravilha se os nossos caras-pintadas tomassem de novo as ruas, exigindo nada menos que as cabeças dos canalhas que envergonham a nação, em vez de se perderem em bebedeiras ridículas, em competições de aprendizes ou em grevezinhas uspianas, anódinas e burocráticas. Que maravilha se os intelectuais dos anos 70, antes tão progressistas, novamente se arriscassem para lutar contra a ditadura que célere se aproxima, em vez de se agarrarem às tetas estatais ou de ficarem em casa gozando indenizações. (E como seria coerente se as tivessem doado, tão logo recebidas, ao "lumpenproletariat".) Que maravilha se os imortais da academia, num gesto vivo e nobre, repudiassem, veementes, os que denigrem o país, mesmo que um seu semelhante estivesse entre eles. (Que não exista na ABL nenhum genial defunto-autor, como Brás Cubas, com isso ninguém se espanta. Mas que lá haja tantos autores-defuntos, isso dá o que pensar. Pois somente os mortos conseguem ficar calados ante a tragédia imensa que se abate sobre nós.) Apenas sonhar, porém, não nos levará muito longe. Vemo-nos, assim, ainda que muitos não o queiram, condenados a agir e a nos insurgir contra esse silêncio incompreensível dos bons.&lt;br /&gt;Cabe-nos, portanto, a difícil decisão: o que queremos, afinal, para o Brasil? Independência ou morte? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;________________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CLÁUDIO GUIMARÃES DOS SANTOS , 49, médico, psicoterapeuta e neurocientista, é escritor, artista plástico, mestre em artes pela ECA-USP e doutor em linguística pela Universidade de Toulouse-Le Mirail (França).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4416987233096623736-1393945957076461084?l=perplexidadesereflexoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://perplexidadesereflexoes.blogspot.com/feeds/1393945957076461084/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4416987233096623736&amp;postID=1393945957076461084&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4416987233096623736/posts/default/1393945957076461084'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4416987233096623736/posts/default/1393945957076461084'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://perplexidadesereflexoes.blogspot.com/2011/03/independencia-ou-morte.html' title='Independência ou morte?'/><author><name>Cláudio Guimarães dos Santos, 1960</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15106137975781084077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_Tk75_V6lESo/StZNINW1zJI/AAAAAAAAACQ/HtXxrfrc7C4/S220/claudioguimaraes-1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4416987233096623736.post-6318184510878396899</id><published>2011-03-13T13:47:00.003-03:00</published><updated>2011-03-13T14:51:27.607-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ARTIGOS Folha de S.Paulo'/><title type='text'>Respeito é muito bom</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;CLÁUDIO GUIMARÃES DOS SANTOS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;FOLHA DE S.PAULO&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SEÇÃO TENDÊNCIAS/DEBATES&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;14 de julho de 2009&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Tal crise só será resolvida com vergonha na cara, que, aliás, num momento tão grave da nação, terão que ter todos os brasileiros &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ATUAL crise do Senado não faz senão honrar a tradição de escândalos deploráveis que tanto têm contribuído para corroer a base ética sobre a qual deveria se assentar o sistema de governo representativo da incipiente democracia brasileira.&lt;br /&gt;Dos fatos que levaram ao impeachment de Collor à proeza contábil-arquitetônica do deputado do castelo, das roubalheiras ciclópicas dos anões do Orçamento aos descaminhos do mensalão (ainda não esclarecidos...), da farra das passagens aéreas aos insólitos atos secretos, é extensa a lista de mamatas prototípicas e de nepotismos paradigmáticos que infestam e desfiguram os Poderes da nação.&lt;br /&gt;Sem contar, é claro, a multidão de casos escabrosos que ainda aguardam para sair do armário, faltando, talvez, para que o façam, que uma providencial disputa entre facções políticas rivais -como a que se deu no Senado- forneça à imprensa a munição necessária para tanto.&lt;br /&gt;Todavia, a peculiaridade do caso do Senado é que ele não apenas revela a estrutura tentacular de um poder paralelo, que se apossou, sem nenhuma vergonha, de uma das Casas do Legislativo federal, com a colaboração ou complacência -falta ainda determinar- de vários dos 81 senadores, mas também põe a nu, de modo cruel, a persistência de um fisiologismo anacrônico, que obriga senadores do PT, com currículos respeitáveis, a dobrar as suas espinhas ao sabor das decisões emanadas do Palácio do Planalto, tudo em nome de uma suposta governabilidade -bela palavra que, no entanto, oculta o desejo inconfessável de controlar a sucessão de 2010.&lt;br /&gt;Tal fato ilustra, nitidamente, o caráter retrógrado do "presidencialismo monárquico" brasileiro, no qual o presidente Lula, ao contrário da rainha da Inglaterra, não somente governa como também reina. Influi, assim, demasiadamente na vida dos outros Poderes, além de posar de "grande pai" da nação -inclusive chamando alguns de seus ministros de "crianças levadas".&lt;br /&gt;Erra, portanto, o presidente da República quando diz que a governabilidade do país estará em risco caso vingue o desejável afastamento do senador Sarney da presidência do Senado.&lt;br /&gt;O que ameaça, de verdade, a governabilidade -e isso o presidente Lula, em nome das suas origens humildes, não poderia ignorar- é a perpetuação do estado de falência jurídica vigente em nossa terra, com a impunidade quase absoluta dos poderosos. Pois é ela que reforça o caráter malandro de muitos brasileiros, que ainda festejam o fato de burlar as leis e de não serem pegos, desde os bandidos proeminentes -que "calham de ser banqueiros"- até os humildes cidadãos que se orgulham de passar, impunes, o sinal vermelho.&lt;br /&gt;Erra, também, o senador Sarney, já que é óbvio que a crise política do Senado não será resolvida com "política", especialmente se esta for do mesmo tipo da que nos causa tanto nojo.&lt;br /&gt;Tal crise, sinto dizer, só será resolvida com vergonha na cara. Vergonha na cara que, aliás, num momento tão grave da nação, terão que ter todos os brasileiros -sobretudo os intelectuais- para que não se omitam, sob pena de, se o fizerem, não mais serem capazes de se olharem ao espelho.&lt;br /&gt;E que não venham relativizar a moral pública, como fazem alguns "estadistas" mais eruditos, lançando mão de conceitos como a "virtú" de Maquiavel, a "raison d'État" de Richelieu ou, até mesmo -vejam só- a "ética da responsabilidade" de Max Weber.&lt;br /&gt;Se boa parte da população, por ignorância ou desinformação, ainda se mantém passiva, contribuindo, com seu voto, para a perpetuação de nefastas oligarquias, há, felizmente, cidadãos que sabem muito bem que, em situações como essa, a omissão será sempre pior que a ação -e são justamente eles os que não podem se calar.&lt;br /&gt;É preciso dar um basta a toda "política" rasteira e malcheirosa e lutar para que se cumpra a lei no Brasil. Não a lei meramente legalista, retórica na letra e perversa na aplicação, que protege apenas os poderosos; não a lei que deixa brechas incontáveis aos advogados vivaldinos. Mas, sim, a lei que se embasa no espírito de justiça e que, de fato, defende os honestos; a lei que, sobretudo, não acoberta os criminosos, impedindo que sejam julgados.&lt;br /&gt;É preciso, pois, fazer saber a esses políticos larápios que, se desejam manter as suas biografias intocadas -até mesmo as que precisam de uma "garibada"-, eles devem, primeiramente, aprender a respeitar os cidadãos que os elegeram. Pois respeito é muito bom, prezadas Excelências -e, dele, todos nós gostamos.&lt;br /&gt;Ou quase todos nós...&lt;br /&gt;________________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CLÁUDIO GUIMARÃES DOS SANTOS , 49, médico, psicoterapeuta e neurocientista, é escritor, artista plástico, mestre em artes pela ECA-USP e doutor em linguística pela Universidade de Toulouse-Le Mirail (França).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4416987233096623736-6318184510878396899?l=perplexidadesereflexoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://perplexidadesereflexoes.blogspot.com/feeds/6318184510878396899/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4416987233096623736&amp;postID=6318184510878396899&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4416987233096623736/posts/default/6318184510878396899'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4416987233096623736/posts/default/6318184510878396899'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://perplexidadesereflexoes.blogspot.com/2011/03/respeito-e-muito-bom.html' title='Respeito é muito bom'/><author><name>Cláudio Guimarães dos Santos, 1960</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15106137975781084077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_Tk75_V6lESo/StZNINW1zJI/AAAAAAAAACQ/HtXxrfrc7C4/S220/claudioguimaraes-1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4416987233096623736.post-7600179435928901804</id><published>2011-03-08T23:32:00.003-03:00</published><updated>2011-03-08T23:36:20.936-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='POEMAS'/><title type='text'>Anhelo de Fausto</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;strong&gt;Cláudio L. N. Guimarães dos Santos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quisiera agotar océanos con un gesto&lt;br /&gt;Y crear mundos tan fácilmente&lt;br /&gt;Como hizo, en el principio, el Demiurgo de Platón.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quisiera tocar los rostros descarnados de los dioses ya olvidados&lt;br /&gt;Y hablarles en lenguas que no conozco de cosas que no entiendo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quisiera ver reflejados en los duros ojos de Medusa,&lt;br /&gt;Aunque fuera una ilusión,&lt;br /&gt;Los dolores todos del tiempo,&lt;br /&gt;La esperanza infantil de los comienzos&lt;br /&gt;Y el error de los ingenuos que se creen vencedores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quisiera ser vasto como el universo&lt;br /&gt;Y, así mismo, contenerme en aquella única gota&lt;br /&gt;Que escurría, eternamente, por la ventana lluviosa&lt;br /&gt;De las tardes antiguas de la casa de mi abuela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quisiera que, de mi cuerpo agotado y de mi mente insomne,&lt;br /&gt;Brotaran muchos árboles de Jesé - padres de profetas –&lt;br /&gt;Más fieles y numerosos que los minaretes de El Cairo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quisiera nascer y morir muchas veces en un sólo segundo&lt;br /&gt;Como además lo hago todos los días.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quisiera olvidarme para siempre&lt;br /&gt;Sin jamás perder la consciencia de la indecible mentira dónde se originan todas las verdades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pues que la mañana es aún promesa, &lt;br /&gt;La noche, presencia inconsútil &lt;br /&gt;Y la vida, una hermosa muerte que se sueña sin dormir.&lt;br /&gt;_____________________________________ &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4416987233096623736-7600179435928901804?l=perplexidadesereflexoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://perplexidadesereflexoes.blogspot.com/feeds/7600179435928901804/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4416987233096623736&amp;postID=7600179435928901804&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4416987233096623736/posts/default/7600179435928901804'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4416987233096623736/posts/default/7600179435928901804'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://perplexidadesereflexoes.blogspot.com/2011/03/anhelo-de-fausto.html' title='Anhelo de Fausto'/><author><name>Cláudio Guimarães dos Santos, 1960</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15106137975781084077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_Tk75_V6lESo/StZNINW1zJI/AAAAAAAAACQ/HtXxrfrc7C4/S220/claudioguimaraes-1.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4416987233096623736.post-8671205708808462097</id><published>2010-12-12T10:36:00.001-02:00</published><updated>2010-12-12T10:36:46.364-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ARTIGOS Folha de S.Paulo'/><title type='text'>Sem olhos em casa</title><content type='html'>CLÁUDIO GUIMARÃES DOS SANTOS &lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;FOLHA DE SÃO PAULO&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SEÇÃO TENDÊNCIAS/DEBATES&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;05 de novembro de 2010&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Governantes populistas, além de lançarem mão de um farto assistencialismo, se esmeram em dificultar o acesso dos cidadãos à informação variada&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo Karl Mannheim, uma sociedade moderna dificilmente consegue escolher bem o seu futuro sem a presença de intelectuais independentes. Somente eles, com seu saudável poder corrosivo, são capazes de garantir a existência de uma opinião pública crítica.&lt;br /&gt;Para fazê-lo, contudo, os intelectuais precisam defender o seu direito de pensar como melhor lhes pareça e recusar a adesão canina a esta ou àquela ideologia, a este ou àquele partido. A sua falta de identidade coletiva -de "espírito de manada"- é o que lhes proporciona a autonomia imprescindível à realização de sua missão: examinar, sem descanso, as soluções conflitantes de um problema antes de rejeitá-las ou de assimilá-las.&lt;br /&gt;Todavia, por rever constantemente as suas opiniões, a intelectualidade "não engajada" é vista com reservas pelos adeptos do ideal gramsciano de "intelectual orgânico", paladino de "sua classe". Estes não suportam o inquietante inconformismo das mentes livres, as quais se encontram, por isso mesmo, em grande perigo nos regimes populistas.&lt;br /&gt;Tal fato, infelizmente, nem sempre é percebido com clareza, já que, ao contrário dos ditadores declarados -que eliminam os intelectuais indesejáveis sem nenhum pudor-, os governantes populistas preferem atuar de modo mais discreto.&lt;br /&gt;Buscam, inicialmente, cooptar a intelectualidade "rebelde", minando-lhe a independência por meio de favores. Se não o conseguem, procuram desacreditá-la perante a população, o que se dá não tanto pelo confronto direto, mas pelo ataque aos meios de comunicação pelos quais se expressa, que são acusados de serem "contra o governo", ou, ainda pior, de serem "contra o povo".&lt;br /&gt;A artimanha, porém, só funciona quando o aparato crítico dos indivíduos aos quais se dirige apresenta um nível rudimentar, resultado das graves deficiências educacionais de que padece a maioria da população nesses regimes: pessoas esclarecidas não se deixam engabelar por pregações descabidas.&lt;br /&gt;É por isso que os governantes populistas, além de lançarem mão de farto assistencialismo e de retórica demagógica pela qual se apresentam como "pais do povo" e "salvadores da pátria", tanto se esmeram em dificultar o acesso dos cidadãos à informação diversificada.&lt;br /&gt;E o fazem seja pela restrição "bem-intencionada" à liberdade de imprensa, seja pela utilização de instrumentos próprios, como as redes de TV "públicas", que funcionam, quase sempre, como veículos da propaganda oficial.&lt;br /&gt;O populismo deforma os cidadãos como nenhum regime autoritário é capaz de fazê-lo. Ele os perverte desde dentro, destruindo a sua resistência crítica. Ele os faz crer que são suas as razões que o regime neles implanta sutilmente. Ele os convence de que a loucura que os acomete constitui uma maneira mais lúcida de ver as coisas.&lt;br /&gt;As vítimas do populismo, ofuscadas por essa luz malsã não só não lamentam como até comemoram a destruição do pensamento independente. Ao fazê-lo, porém, colocam-se, ingenuamente, ainda mais à mercê dos hábeis governantes, dóceis e desarmadas, sem olhos em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CLÁUDIO L. N. GUIMARÃES DOS SANTOS, 50, escritor, médico e diplomata, é mestre em artes pela ECA-USP e doutor em linguística pela Universidade de Toulouse-Le Mirail (França). Blog: http://perplexidadesereflexoes.blogspot.com/&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4416987233096623736-8671205708808462097?l=perplexidadesereflexoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://perplexidadesereflexoes.blogspot.com/feeds/8671205708808462097/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4416987233096623736&amp;postID=8671205708808462097&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4416987233096623736/posts/default/8671205708808462097'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4416987233096623736/posts/default/8671205708808462097'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://perplexidadesereflexoes.blogspot.com/2010/12/sem-olhos-em-casa.html' title='Sem olhos em casa'/><author><name>Cláudio Guimarães dos Santos, 1960</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15106137975781084077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_Tk75_V6lESo/StZNINW1zJI/AAAAAAAAACQ/HtXxrfrc7C4/S220/claudioguimaraes-1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4416987233096623736.post-2289087813141492440</id><published>2010-09-29T23:16:00.000-03:00</published><updated>2010-09-29T23:16:30.482-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='POEMAS'/><title type='text'>Poema Oriental</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Cláudio Guimarães dos Santos&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;strong&gt;(Da &lt;em&gt;Coletânea&lt;/em&gt; "Poemas do coração sonhados pela razão")&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;I&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Desertos,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Areias ferventes,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Castelos de areia&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Que se dobram ao vento dos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Desertos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;II&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Estepes e haréns multiformes.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Milhares de bocas sedentas,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Enormes,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Rasgadas e secas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Oásis desejados&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;No meio de&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Estepes e haréns multiformes.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;III&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Água preciosa,&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Raro marfim.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Assombrosa reunião de safiras.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Purgatório de corpos.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Redenção de espíritos envoltos em páginas desbotadas &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;De sacrossantas leis.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Tábuas sagradas,&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Pergaminhos,&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Ditos perfeitos.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Mil e uma poesias jogadas por noites sem sono,&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Ao sabor das ondas&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Que banham douradas montanhas,&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Ressequidas,&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Carentes de&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Água preciosa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;IV&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Obediência cega&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;De cortar os pulsos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;No silêncio,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;De romper o ventre.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Meditação passagem para a morte.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Terra abençoada&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Onde não há frescor,&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Somente aceitação.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Recordação de dádivas&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;E de sacrifícios a seis milhões de deuses,&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Ou a nenhum,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Ou a um só.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Terra de gente morta&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;E de cultura viva.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Cansaço da presciência dos séculos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Abismo e paz que é nada,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Que vem do nada,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Que vale tudo,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Que custa tudo,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;E mais que tudo:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Obediência cega.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;V&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Levante sonolento.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Levante de beiradas,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;De fins de mundo,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;De limites&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;E de supostos epílogos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;(Embora continue sempre&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Para muito além das poéticas planícies&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;E do pó dos rios.)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Aurora que se eleva&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Ao tempo em que mergulham os brilhos do Ocidente,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Anoitecidos e gastos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Férteis crescentes,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Cordilheiras adormecidas,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Vazias moradas de eternos seres...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Silenciosa proliferação de corpos,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;De gentes,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;De universos,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Que por mais barulho que faça&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;E por mais línguas que ressoem&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Não perturbam nunca&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;O transe oriental,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;A monumental quietude do&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Levante sonolento.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;_____________________________&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4416987233096623736-2289087813141492440?l=perplexidadesereflexoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://perplexidadesereflexoes.blogspot.com/feeds/2289087813141492440/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4416987233096623736&amp;postID=2289087813141492440&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4416987233096623736/posts/default/2289087813141492440'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4416987233096623736/posts/default/2289087813141492440'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://perplexidadesereflexoes.blogspot.com/2010/09/poema-oriental.html' title='Poema Oriental'/><author><name>Cláudio Guimarães dos Santos, 1960</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15106137975781084077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_Tk75_V6lESo/StZNINW1zJI/AAAAAAAAACQ/HtXxrfrc7C4/S220/claudioguimaraes-1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4416987233096623736.post-6505631844434715458</id><published>2010-09-29T22:58:00.000-03:00</published><updated>2010-09-29T22:58:34.201-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='POEMAS'/><title type='text'>Balanço</title><content type='html'>&lt;span style="font-size: large;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Cláudio Guimarães dos Santos&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;(Da &lt;em&gt;Coletânea&lt;/em&gt; "Poemas do coração sonhados pela razão")&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Em estrita obediência&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;À necessária ordem do acaso,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Sigo o meu caminho (assim como todos)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Cumprindo uma etapa completa, justa e perfeita,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;A cada simbólica alvorada.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Reergo-me dos meus erros&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Para tornar a cair, ainda uma vez,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Sempre,&amp;nbsp;sempre...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Sei-me perfeitamente imperfeito,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Completamente incompleto,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;E, contudo, apesar de tudo,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Humanamente sereno quando os deuses não me tentam.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Sofro, a cada instante e durante cada instante,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Como se sofresse por uma eternidade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Prometeu castigado sem culpa,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Sigo, híbrido, a minha rota.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Meus pés descalços&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;(Desprovidos de asas)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Sangram ao mínimo roçar das coisas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Enquanto isso, o meu divino coração se alegra&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;(Pois somente aos deuses essa graça é concedida)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Com as minhas penas tão humanas.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;(Lembro, não sei por que motivo,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Do deus contente feito homem&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Para poder sofrer&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;E, assim, satisfazer&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;À sua eterna justiça.)&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;No meio dessa dualidade,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Anterior a qualquer aparente unicidade&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;(Que é, por sua vez, anterior a qualquer dualidade pré-existente),&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Perco-me em paradoxos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;E amanheço esquartejado como Dionísio.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Busco-me,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;E só encontro falta de mim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Relembro-me,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;E tudo o que me vem à mente&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;São pedaços por demais fragmentários,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Retalhos sem nenhuma nitidez.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Eu poderia ser saudades de mim,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Mas sou muito mais e muito menos do que isso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Vasculho, todos os dias,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Os sonhos da noite passada&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Em busca de alguma pista,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Que (pelo menos) fale a minha língua,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Que possa me levar ao Cálice Sagrado,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Ao ponto final,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Ao eterno recomeço,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Onde eu possa me expandir indefinidamente,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Na vibrante solidão desses espaços infinitos,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Que, longe de me assustarem,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Mais e mais me atraem. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4416987233096623736-6505631844434715458?l=perplexidadesereflexoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://perplexidadesereflexoes.blogspot.com/feeds/6505631844434715458/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4416987233096623736&amp;postID=6505631844434715458&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4416987233096623736/posts/default/6505631844434715458'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4416987233096623736/posts/default/6505631844434715458'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://perplexidadesereflexoes.blogspot.com/2010/09/balanco.html' title='Balanço'/><author><name>Cláudio Guimarães dos Santos, 1960</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15106137975781084077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_Tk75_V6lESo/StZNINW1zJI/AAAAAAAAACQ/HtXxrfrc7C4/S220/claudioguimaraes-1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4416987233096623736.post-8245602815665565867</id><published>2009-11-12T14:12:00.002-02:00</published><updated>2009-11-12T14:18:01.958-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ARTIGOS - &quot;Perplexidades e Reflexões&quot;'/><title type='text'>Solidão Coletiva</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Cláudio Guimarães dos Santos&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é preciso ser nenhuma estrela da psicoterapia ou da filosofia para saber que, atualmente, é cada vez maior o contingente de pessoas que se queixam de solidão. Nos “barzinhos da vida”, por exemplo, esse é o grande tema - e muitas vezes o único - que é sempre discutido apaixonadamente.&lt;br /&gt;E, ao contrário do que pensam alguns machões mais radicais, a solidão é o assunto preferido não apenas das mulheres, mas também dos homens, quando lá pelo quarto ou quinto copo de cerveja o papo começa a ficar mais sério, após terem sido esgotadas as últimas piadas e as discussões sobre futebol.&lt;br /&gt;De um ponto de vista psicológico, é interessante notar que, apesar de estarem reunidas em volta de uma mesa, muitas pessoas não se cansam de reclamar por não terem ninguém para partilhar, de modo sincero, os seus desejos, medos, decepções, prazeres, angústias, carências, enfim, a sua vida. Ou seja, estão todos ali “juntinhos”, mas absolutamente solitários...&lt;br /&gt;Trata-se, não há dúvida, de um dos grandes fenômenos sociológicos do mundo contemporâneo, que eu costumo chamar de “solidão coletiva”. Por que será que ele ocorre e o que fazer para revertê-lo (se é que, de fato, há algo a ser feito)?&lt;br /&gt;O assunto é controverso, complexo, espinhoso e, por isso mesmo, não terei a pretensão de esgotá-lo em algumas poucas linhas. Ousarei, contudo, arriscar ao menos uma hipótese, que considero interessante e até consistente.&lt;br /&gt;Há quem ache, por exemplo, que os homens e as mulheres da nossa época têm tanta dificuldade para constituir vínculos estáveis – sejam hétero ou homossexuais - porque estão por demais voltados para dentro de si mesmos, aprisionados no abismo egocêntrico das suas interioridades.&lt;br /&gt;Não concordo com essa idéia. Creio, antes, que é precisamente por se encontrarem completamente voltados para fora, com as suas mentes subjugadas pela propaganda e pela mídia, que muitos, hoje em dia, não conseguem suportar a convivência com um companheiro ou companheira, e é por isso que estão sozinhos.&lt;br /&gt;Uma tal vinculação excessiva ao mundo acelera o processo de diluição da interioridade do indivíduo – que já não era tão sólida -, com a conseqüente corrosão da sua capacidade de autodeterminação. Em outras palavras, tais vínculos externos, antes opcionais, passam, agora, a ser obrigatórios, tornando-se os únicos “fundamentos” a dar um pouco de sentido à sua vida, ainda que seja um sentido estereotipado e impessoal.&lt;br /&gt;Assim, num aparente paradoxo, quanto mais “entchurmadas” se acham as pessoas, mais solitárias e isoladas elas se sentem, mergulhadas nos seus respectivos sofrimentos: todo mundo fica com todo mundo, mas ninguém permanece com ninguém.&lt;br /&gt;É como se o excesso de circuitos e de oportunidades de contato disponíveis, multiplicando as opções de interação entre as pessoas, impedisse, por isso mesmo, o desenvolvimento, em cada um delas, de uma interioridade madura e conseqüente, sem a qual nenhum contato genuíno (e satisfatório) com o outro é possível.&lt;br /&gt;Além disso, num mundo cuja tônica é a satisfação imediata dos desejos mais banais, do deleite dos sentidos mais grosseiros, num mundo no qual tantos envelhecem sem jamais se terem tornado adultos, quem seria capaz de se interessar pelo desenvolvimento de uma interioridade madura? Afinal, por que queimar os miolos com essas difíceis abstrações se a vida, para uma boa parte da humanidade, consiste – como, aliás, sempre consistiu... – em comer, dormir e copular, não necessariamente nessa ordem?&lt;br /&gt;Na nossa época, os desejos consumistas das pessoas foram de tal modo exacerbados que elas não mais conseguem ficar satisfeitas, pouco importando o que lhes caia nas mãos, seja um carro, um vestido, um prêmio de loteria, ou até mesmo um companheiro ou companheira. Tão logo o “objeto” desejado é obtido, elas se lançam, desesperadas, atrás de um novo “troféu”, transformando as suas vidas na perseguição insensata de um estado de saciedade prazerosa – de uma espécie de “nirvana às avessas” - que jamais será atingido.&lt;br /&gt;Esgotam-se, assim, dessa maneira tola, os esportistas, em busca de mais medalhas; os homens de negócios, atrás de mais dinheiro; os artistas, querendo mais sucesso; os políticos, almejando mais poder; e, todos eles, indistintamente, perseguindo essa coisa abstrata, que não conseguem muito bem definir, à qual dão o nome - na falta de outro melhor - de “felicidade”.&lt;br /&gt;Esse fenômeno se torna ainda mais curioso quando nos damos conta de que fatos como a inevitabilidade da morte ou a impossibilidade da satisfação absoluta dos desejos são conhecidos de todos – desde a infância – e isso qualquer que seja a visão filosófico-religiosa considerada.&lt;br /&gt;Não existe, infelizmente, solução simples e fácil para um tal estado de coisas. Ao contrário do que apregoam os fanáticos por remédios e “bolinhas”, nenhuma pílula será capaz de fomentar o desenvolvimento de uma personalidade equilibrada, criativa, integral, capaz de se bastar a si mesma e, por isso, de interagir generosamente com as outras pessoas.&lt;br /&gt;Resta o desafio do autoconhecimento - seja daquele buscado, de forma isolada, pelo próprio indivíduo; seja daquele obtido com o auxílio de um psicoterapeuta experiente. Trata-se, como alguns bem sabem, de um caminho lento, difícil e quase sempre doloroso, mas quão recompensador... &lt;br /&gt;Qualquer outra medida será, na minha opinião, apenas paliativa, contribuindo, com o passar do tempo, para aumentar ainda mais a legião dos que se sentam nos barzinhos, apinhados de gente, e ficam por ali se queixando de que sempre estão sozinhos. E, para algumas pessoas, não há melhor consolo do que passar a vida reclamando... da vida.&lt;br /&gt;_______________________________&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4416987233096623736-8245602815665565867?l=perplexidadesereflexoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://perplexidadesereflexoes.blogspot.com/feeds/8245602815665565867/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4416987233096623736&amp;postID=8245602815665565867&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4416987233096623736/posts/default/8245602815665565867'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4416987233096623736/posts/default/8245602815665565867'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://perplexidadesereflexoes.blogspot.com/2009/11/solidao-coletiva.html' title='Solidão Coletiva'/><author><name>Cláudio Guimarães dos Santos, 1960</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15106137975781084077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_Tk75_V6lESo/StZNINW1zJI/AAAAAAAAACQ/HtXxrfrc7C4/S220/claudioguimaraes-1.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4416987233096623736.post-6369519455173885243</id><published>2009-09-29T23:01:00.002-03:00</published><updated>2009-09-29T23:02:36.933-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='POEMAS'/><title type='text'>Jardim Japonês</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Cláudio Guimarães dos Santos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(Da &lt;em&gt;Coletânea&lt;/em&gt; "Poemas do coração sonhados pela razão")&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste jardim japonês eu sinto&lt;br /&gt;O presente de toda a vida,&lt;br /&gt;O passado de toda a idade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O silêncio adormecido dos tanques&lt;br /&gt;Embalando a transparência das pedras,&lt;br /&gt;Ocultando o segredo dos mitos,&lt;br /&gt;Das coisas,&lt;br /&gt;Dos momentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Refazendo na verde carne&lt;br /&gt;Das folhas que envelhecem&lt;br /&gt;Os atalhos esquecidos da minha própria história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;________________________________&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4416987233096623736-6369519455173885243?l=perplexidadesereflexoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://perplexidadesereflexoes.blogspot.com/feeds/6369519455173885243/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4416987233096623736&amp;postID=6369519455173885243&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4416987233096623736/posts/default/6369519455173885243'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4416987233096623736/posts/default/6369519455173885243'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://perplexidadesereflexoes.blogspot.com/2009/09/jardim-japones_29.html' title='Jardim Japonês'/><author><name>Cláudio Guimarães dos Santos, 1960</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15106137975781084077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_Tk75_V6lESo/StZNINW1zJI/AAAAAAAAACQ/HtXxrfrc7C4/S220/claudioguimaraes-1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4416987233096623736.post-1227507072377174901</id><published>2009-09-29T20:47:00.004-03:00</published><updated>2009-09-29T23:03:20.192-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='POEMAS'/><title type='text'>Referências bibliográficas sentimentalmente</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Cláudio Guimarães dos Santos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(Da &lt;em&gt;Coletânea&lt;/em&gt; "Poemas do coração sonhados pela razão")&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As verdadeiras gentes,&lt;br /&gt;Encontrei-as nas repúblicas utópicas,&lt;br /&gt;E nas vilas ricas,&lt;br /&gt;E nos campos de centeio,&lt;br /&gt;E nas montanhas mágicas,&lt;br /&gt;E nas florestas de castália,&lt;br /&gt;E nos mares nunca dantes navegados,&lt;br /&gt;E em outras tantas mil e uma noites vividas&lt;br /&gt;Na minha torre de marfim para sempre aléphica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Encontrei-as, sobretudo, à volta do homem sem qualidades.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E morei com elas&lt;br /&gt;Bem junto delas.&lt;br /&gt;E vivi por elas&lt;br /&gt;As dores delas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu Deus!... Como eram plenos os seus dias...&lt;br /&gt;(Que divina comédia!...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi quando conquistei o universo de minha escrivaninha,&lt;br /&gt;E fui mais audacioso do que Bacon&lt;br /&gt;Ao assumir, eu mesmo, a autoria dos meus próprios dramas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E fui mais fértil do que o Filósofo,&lt;br /&gt;E mais sutil do que o Doutor Angélico,&lt;br /&gt;Tudo nessa ordem&lt;br /&gt;E muitas coisas mais&lt;br /&gt;Em outras ordens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, as verdadeiras gentes se foram&lt;br /&gt;Deixando-me toscos simulacros,&lt;br /&gt;Ecos de riso,&lt;br /&gt;Sombras no vento,&lt;br /&gt;Saudade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí, eu resolvi partir para longe da caverna&lt;br /&gt;Em busca de Tróia,&lt;br /&gt;De Ítaca,&lt;br /&gt;Do tempo perdido,&lt;br /&gt;Do ouro de Eldorado,&lt;br /&gt;Ou mesmo de Canudos&lt;br /&gt;(Cândido que eu era).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E viajei por estranhas paragens,&lt;br /&gt;E guardei muitos rebanhos,&lt;br /&gt;E vi mundos com os meus olhos próprios,&lt;br /&gt;Até que dos antigos as frontes toquei:&lt;br /&gt;Eram frias como o mármore.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roí a roupa do rei de Roma,&lt;br /&gt;Contrito rezei sixtino,&lt;br /&gt;Mas jamais vi o Papa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Admirei-me das cruzadas que lutava&lt;br /&gt;Em exauridas terras eliopticamente.&lt;br /&gt;(Logo eu...&lt;br /&gt;Cujo gládio só servira para afiar as penas...) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, perdi-me sepultado no epicentro das origens,&lt;br /&gt;Na carcaça das geleiras ideografado a fogo,&lt;br /&gt;Alheio às violentas convulsões dos séculos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais tarde, já maduro, conheci muitas mulheres biblicamente...&lt;br /&gt;E num carnaval de Veneza, não me lembro bem a data,&lt;br /&gt;Chocou-me a morte gratuita de um werther rapaz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda que inocente,&lt;br /&gt;Fiz-me casto e penitente &lt;br /&gt;Por cem anos de austera solidão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por ter o peito tinto à culpa imaginária&lt;br /&gt;(De todas a mais cruel),&lt;br /&gt;Entreguei-me sorridente ao furor das Erínias,&lt;br /&gt;Para que me punissem,&lt;br /&gt;Para que me lavassem os olhos, a língua e o sexo,&lt;br /&gt;Para que me fizessem Galahad renascido,&lt;br /&gt;Sem lança, lote, taça ou vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, na manhã da manhã seguinte,&lt;br /&gt;Enquanto galos cocoricavam-me à volta da cabeça,&lt;br /&gt;Descobri que, se não transcendera,&lt;br /&gt;Ao menos ficara tísico,&lt;br /&gt;Romântico,&lt;br /&gt;Misantropo,&lt;br /&gt;Simbolista,&lt;br /&gt;Nunca concreto&lt;br /&gt;E finalmente cego:&lt;br /&gt;Poeta profeta de mil vates.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, retornado&lt;br /&gt;(E com roupão de literato),&lt;br /&gt;Aguardo Caronte...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou amargo,&lt;br /&gt;Desiludido,&lt;br /&gt;Fausticamente saciado à náusea,&lt;br /&gt;Peer Gynt cansado,&lt;br /&gt;Ulisses enfraquecido,&lt;br /&gt;Virgílio perdido,&lt;br /&gt;Desambientado Tarzan,&lt;br /&gt;Jeca Tatu ensimesmado e autofágico,&lt;br /&gt;Sansão depressivo e agonizante...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só e abandonado,&lt;br /&gt;Sigo mudo:&lt;br /&gt;Sem olhos em casa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_________________________&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4416987233096623736-1227507072377174901?l=perplexidadesereflexoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://perplexidadesereflexoes.blogspot.com/feeds/1227507072377174901/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4416987233096623736&amp;postID=1227507072377174901&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4416987233096623736/posts/default/1227507072377174901'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4416987233096623736/posts/default/1227507072377174901'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://perplexidadesereflexoes.blogspot.com/2009/09/referencias-bibliograficas.html' title='Referências bibliográficas sentimentalmente'/><author><name>Cláudio Guimarães dos Santos, 1960</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15106137975781084077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_Tk75_V6lESo/StZNINW1zJI/AAAAAAAAACQ/HtXxrfrc7C4/S220/claudioguimaraes-1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4416987233096623736.post-6218316728253721016</id><published>2009-09-29T20:30:00.002-03:00</published><updated>2009-09-29T23:03:36.066-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='POEMAS'/><title type='text'>Definições fundamentais</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Cláudio Guimarães dos Santos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(Da &lt;em&gt;Coletânea&lt;/em&gt; "Poemas do coração sonhados pela razão")&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O silêncio são mil faces de demônios distraídos,&lt;br /&gt;Esquecidos a rezar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A saudade são pedaços de brinquedos da infância&lt;br /&gt;Reluzindo em outras mãos.&lt;br /&gt;O remorso são estradas de barro com muitas subidas difíceis&lt;br /&gt;E abafamentos sem volta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sede são desertos de vento,&lt;br /&gt;São estepes de pedra,&lt;br /&gt;São poeiras vermelhas e rudes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O desterro são cidades estrangeiras que já não se parecem, apesar de serem iguais,&lt;br /&gt;São espelhos voltados sobre si mesmos, vazios de reflexos como poças ressecadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vício são coisas redondas e macias,&lt;br /&gt;Doces e frescas,&lt;br /&gt;Que não se acabam nem duram,&lt;br /&gt;E que são sempre condenados por quem não tem o que fazer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo são passadas lentas,&lt;br /&gt;São lascas de esquecimento,&lt;br /&gt;São sobras de uns poucos instantes que sempre se repetem&lt;br /&gt;Sem nunca perderem o seu frescor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mito somos todos nós que cortejamos o dia&lt;br /&gt;Como se o carpíssemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A morte são sinfonias magníficas&lt;br /&gt;Tocadas para ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O desejo são anjos caídos&lt;br /&gt;De asas manchadas&lt;br /&gt;De chocolate e sangue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O poema são pequeninas chamas&lt;br /&gt;Iluminando a face risonha dos deuses&lt;br /&gt;Quando à noite cantam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_______________________________&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4416987233096623736-6218316728253721016?l=perplexidadesereflexoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://perplexidadesereflexoes.blogspot.com/feeds/6218316728253721016/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4416987233096623736&amp;postID=6218316728253721016&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4416987233096623736/posts/default/6218316728253721016'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4416987233096623736/posts/default/6218316728253721016'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://perplexidadesereflexoes.blogspot.com/2009/09/definicoes-fundamentais.html' title='Definições fundamentais'/><author><name>Cláudio Guimarães dos Santos, 1960</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15106137975781084077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_Tk75_V6lESo/StZNINW1zJI/AAAAAAAAACQ/HtXxrfrc7C4/S220/claudioguimaraes-1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4416987233096623736.post-4903874616449803849</id><published>2009-09-06T23:59:00.000-03:00</published><updated>2009-09-15T21:23:54.042-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ARTIGOS - &quot;Perplexidades e Reflexões&quot;'/><title type='text'>Os óculos de Drummond</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Cláudio Guimarães dos Santos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volta e meia algum vândalo inconseqüente arranca os óculos da estátua de Drummond que fica em Copacabana, no calçadão do Posto 6, bem pertinho do velho Forte, no local onde o poeta gostava de se sentar.&lt;br /&gt;O Poder Público repõe os óculos, mas eles são novamente arrancados algum tempo depois.&lt;br /&gt;Desconheço se outras estátuas de poetas - como a de Fernando Pessoa, em Lisboa, bem em frente ao Café onde ele costumava rabiscar os seus poemas, ou a do nosso querido Vinícius, erigida em Itapoã, lá na bela Salvador - costumam sofrer semelhantes desditas.&lt;br /&gt;Também ignoro se Drummond realmente gostava dos seus óculos; se eles eram, para ele, uma “segunda natureza”, a tal ponto que insistisse em tê-los na cara até mesmo quando chorava, deixando que as suas lágrimas lavassem córneas e lentes; ou se, teimoso, ele os tirava o tempo todo, como faz um garotinho – e um grande poeta não deixa jamais de sê-lo - revoltado com a “gente grande” que o obriga a utilizá-los. (Se essa última possibilidade for de fato a verdadeira, o tal sumiço dos óculos passa a ser, ao invés de uma agressão, um tributo pungente à memória de Drummond... Mas, não nos antecipemos...)&lt;br /&gt;O que sei é que esses vândalos não têm, o mais das vezes, nenhuma idéia da real identidade da pessoa cuja estátua depredam com tanta obstinação (e, talvez, com algum prazer...). Se soubessem da verdade, talvez se comportassem de modo bem diferente, pois os poetas – especialmente os muito bons - são capazes de seduzir até as feras, como nos lembra o belo mito de Orfeu.&lt;br /&gt;O mais plausível, no entanto, é que esses vândalos imaginem que se trate da estátua de um político ou, pelo menos, de alguém suficientemente rico e poderoso para estar justamente ali, naquela localização tão nobre, em que os cheiros “plebeus” de Copacabana já se mesclam aos aristocráticos perfumes de Ipanema - o baluarte &lt;em&gt;par excellence&lt;/em&gt; da &lt;em&gt;noblesse de souche&lt;/em&gt; carioca (a qual relegou, diga-se de passagem, para a Barra e para o Recreio, a legião dos emergentes deslumbrados).&lt;br /&gt;É natural, portanto, que o contraste - que é extremo nesse trecho da orla - entre a miséria das favelas penduradas nos morros e a opulência dos edifícios de frente para o mar, venha a estimular todo o tipo de revolta e que esta acabe sendo dirigida, entre outros alvos, para a inocente estátua de Drummond. Afinal, por que razão os “intocáveis” da sociedade fluminense deixariam em paz, num lugar tão conspícuo, a estátua de um velho “quatro-olho” e careca, que acreditam ter sido um ricaço, enquanto eles mesmos são caçados, como bichos, por esquadrões da morte e “tropas de elite”? Certamente é assim que se manifesta, ainda que com vocabulário e sintaxe diferentes, o rancor dos “descamisados” da “montanha” pelos bacanas da “planície”, para fazermos um &lt;em&gt;pendant &lt;/em&gt;latino-americano à oposição existente entre duas conhecidas facções políticas ao tempo de Revolução Francesa. &lt;br /&gt;Todavia, em vez de prosseguirmos nessa trilha, por sinal já bastante percorrida, talvez fosse importante que refletíssemos um pouco. Será de fato realista atribuir toda a culpa por esses atos de vandalismo à multidão de “capitães de areia” que “infestam” as praias da Zona Sul, a essa “escória”, enfim, das “classes baixas” - uma expressão que tão bem ilustra o preconceito que permeia a visão de mundo das (autodenominadas) “classes altas”? Pois pode ser muito bem que estejamos enganados e que, ao contrário do que alguns preferem crer, os tais vândalos provenham das melhores famílias, da fina-flor da &lt;em&gt;jeunesse dorée&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;et pourrie&lt;/em&gt;...) do Rio de Janeiro, da elite que estuda em colégios e faculdades caríssimas e da qual &lt;em&gt;la crème de la crème&lt;/em&gt; são os &lt;em&gt;pittboys &lt;/em&gt;turbinados que praticam as suas artes marciais em academias que custam os “óculos da cara”, que se drogam a mais não poder e que circulam com seus carrões importados (sem respeitar, evidentemente, as regras de trânsito) tendo ao lado patricinhas intragáveis e &lt;em&gt;starlets&lt;/em&gt; da TV...&lt;br /&gt;Evidentemente, se não quisermos ser tendenciosos, nem para a “esquerda” e nem para a “direita”, precisaremos admitir que os óculos de Drummond podem ter sido arrancados por delinqüentes de qualquer desses dois grupos: os que têm grana e os que não têm...&lt;br /&gt;Existe, contudo, uma terceira hipótese, talvez a mais interessante entre todas as que avancei até agora, ainda que pouquíssimo provável. E se o sumiço periódico dos óculos forem a obra premeditada de uma única pessoa: ninguém menos do que o filho de D. Lili e do Sr. J. Pinto Fernandes – “o que não tinha entrado na história” –, os dois inesquecíveis personagens do poema “Quadrilha”?&lt;br /&gt;Desenvolvamos um pouco essa idéia supondo que, além de interessante, esse poema de Drummond se refere, de fato, a pessoas reais.&lt;br /&gt;Imaginemos, primeiramente, que o tal indivíduo – o J. Pinto Fernandes Filho, ou Pinto Filho, para ficar mais fácil – se tivesse tornado um inimigo figadal de Drummond. Ele jamais perdoara o poeta pelo desprezo com que este tratara o seu finado pai naquele fatídico último verso. Ainda mais o seu pai, um ilustre burocrata, que também escrevera centenas de poemas e que, por pouco, não fora eleito, com a ajuda de políticos poderosos – todos também “poetas”... –, para a Academia Brasileira de Letras. (Fora vencido, infelizmente, por outra nulidade literária, que possuía, todavia, um cartucho político maior.) Assim, apesar da admiração irrestrita do filho e da dedicação desmedida de D. Lili, o Sr. J. Pinto Fernandes não lograra superar a mágoa que lhe causara Drummond, tendo enfim falecido depois de longos anos de etilismo crônico, já que “bebia para esquecer” a desfeita do poeta. Desde esse dia, o jovem Pinto Filho jurara não descansar enquanto não vingasse a memória do seu pobre pai. Covarde por natureza, não fora, porém, capaz de tomar qualquer atitude contra o odiado poeta enquanto este esteve vivo. Mas aquela estátua no calçadão, tão isolada na madrugada, constituía um alvo fácil, até mesmo para ele.&lt;br /&gt;Poderíamos, é claro, continuar essa tocante narrativa, mas vou interrompê-la (abruptamente) para arriscar uma quarta e última hipótese, de todas a menos plausível.&lt;br /&gt;E se o nosso Pinto Filho, ao invés de um inimigo, fosse, antes, um devoto de Carlos Drummond de Andrade? E se ele fosse imensamente agradecido pelo fato de o poeta ter dado ao seu amado pai a única alegria verdadeira que este teve em toda a sua vida de burocrata medíocre: a de saber-se imortalizado no poema “Quadrilha”, a de ter entrado para a História - com a letra H maiúscula - sem precisar ter feito nada de importante, mas, simplesmente, por que “não tinha entrado na história”?...&lt;br /&gt;Imaginemos, então, que esse nobre Pinto Filho, com o seu gesto de sumir com os óculos, estivesse, na verdade, querendo poupar o poeta desse monte de coisas horríveis de que todos somos testemunhas - nós que ainda enxergamos (uns com óculos, outros sem) - e que acontecem não somente no Rio de Janeiro, mas no Brasil inteirinho, tais como o lento assassinato das crianças que sucumbem sem escola, sem dignidade e sem perspectiva; ou a indecência da jogatina política e da falsidade ideológica dos partidos; ou a falta de caráter dos nossos “grandes líderes”; ou a desesperança imensa que nos causa a impunidade dos ricos; ou a destruição irremediável dos nossos ecossistemas mais preciosos; ou o “turismo selvagem” que transforma os nossos balneários em prostíbulos a céu aberto, onde estrangeiros, com euros e dólares, leiloam as vidas dos nossos cidadãos e cidadãs adolescentes; etc., etc. e tal...&lt;br /&gt;Deixo, ao leitor, a liberdade de escolher a melhor explicação para o sumiço repetido dos óculos de Drummond... Mas em troca eu lhe peço, de mãos postas, que jamais – jamais mesmo! - feche os seus olhos a tanta coisa vergonhosa, como muitos, infelizmente, fazem hoje, no Brasil.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4416987233096623736-4903874616449803849?l=perplexidadesereflexoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://perplexidadesereflexoes.blogspot.com/feeds/4903874616449803849/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4416987233096623736&amp;postID=4903874616449803849&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4416987233096623736/posts/default/4903874616449803849'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4416987233096623736/posts/default/4903874616449803849'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://perplexidadesereflexoes.blogspot.com/2009/09/os-oculos-de-drummond.html' title='Os óculos de Drummond'/><author><name>Cláudio Guimarães dos Santos, 1960</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15106137975781084077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_Tk75_V6lESo/StZNINW1zJI/AAAAAAAAACQ/HtXxrfrc7C4/S220/claudioguimaraes-1.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4416987233096623736.post-2140664222272315607</id><published>2009-08-28T21:54:00.000-03:00</published><updated>2009-09-06T13:49:04.420-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ARTIGOS Folha de S.Paulo'/><title type='text'>Todos cantam a sua terra...</title><content type='html'>CLÁUDIO GUIMARÃES DOS SANTOS&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;FOLHA DE S.PAULO&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SEÇÃO TENDÊNCIAS/DEBATES&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;16 de abril de 2009&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;A imensa passividade e um péssimo conceito de si caracterizam o brasileiro. O povo assiste, calado, aos escândalos mais chocantes&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gilberto Freyre e Darcy Ribeiro valorizaram, cada um a seu modo, a natureza mestiça do povo brasileiro. Sérgio Buarque de Holanda realçou o caráter "cordial" da nossa gente, marcado por uma afetividade exuberante -mas nem sempre sincera- que compromete, muitas vezes, a objetividade nas relações interpessoais, sobretudo quando se trata de distinguir a esfera privada da pública. Outros, como Antonio Candido, se debruçaram sobre o nosso "jeito malandro de ser", tão festejado pela MPB. Eu, porém, pedindo vênia aos pais fundadores das nossas ciências humanas, ousarei divergir. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mim, o que caracteriza realmente o povo brasileiro é a sua imensa passividade, à qual se alia um péssimo conceito de si mesmo. Essa baixa autoestima nos faz idolatrar o que provém do estrangeiro -especialmente dos Estados Unidos e da Europa- e desprezar o "similar nacional", ainda quando este é, de fato, o melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trata-se da conhecida "doença de Joaquim Nabuco" -como a chamava Mário de Andrade-, que é o fascínio irresistível pelas "luzes" do "Primeiro Mundo". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto à passividade, ela não poderia ser mais evidente. O povo assiste, calado, aos escândalos mais chocantes: na "high society", é o gangsterismo que viceja, sem vergonha, por entre orgias gastronômicas, degustações enológicas e colunas sociais; no Legislativo, são as velhas negociatas que maculam, ainda mais, a imagem dos congressistas; no Executivo, seja qual for o nível, é a manipulação politiqueira do Orçamento, é o uso eleitoreiro dos recursos, é o retorno quase nulo, sob a forma de serviços, dos tributos excessivos; no Judiciário, além da lentidão, é a estranha condescendência, cada vez mais comum, com a retórica capciosa de alguns advogados, que desfiguram, pelo uso sofístico, os baluartes constitucionais da cidadania -como o direito ao habeas corpus ou ao devido processo legal-, os quais só valem para os poderosos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A passividade do povo brasileiro chega a ser tão absurda que não é raro verificarmos a reeleição de figuras corruptas pelos mesmos ingênuos eleitores que, "ainda ontem", por elas haviam sido ludibriados. É o popular "me engana que eu gosto"... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trata-se, penso eu, de um traço bastante constante da nossa personalidade coletiva, que nos tem acompanhado ao longo da história, ainda que com algumas exceções: umas mais violentas -como Palmares, a Balaiada, a Cabanagem, Canudos, o Contestado, a revolta da Vacina ou a guerrilha dos anos de chumbo; outras mais pacíficas -como o Fora Collor e as Diretas-Já. Além do mais, pouquíssimas dessas revoltas contaram com a adesão significativa da população brasileira, sofrendo, antes, a sua veemente condenação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Que nos baste, como exemplo, recordar o que se deu com os raros cidadãos que, de armas na mão, realmente se insurgiram, com "fibra de herói de gente brava", contra o regime militar -ainda que alguns deles, é verdade, almejassem a instalação de uma outra ditadura, só que de índole marxista: iludidos com a perspectiva de um maciço apoio popular, ficaram todos a ver navios, já que a maioria dos brasileiros não deixou de usufruir as migalhas do "milagre econômico", nem muito menos de festejar os "heróis" da Copa de 70, pouco se importando se o "pau comia solto" nos subsolos do poder.) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se quisermos, portanto, ser sinceros, precisaremos admitir que a revolta aberta e franca nunca foi mesmo o nosso "forte", ou, por outra, se ela o foi alguma vez, vem deixando de sê-lo a cada dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em vez dela, preferimos uma cerveja gelada, um bom pagodinho, um sofá e uma TV, a mesa do botequim. Briga mesmo só se for pelo time do coração -assim reza o triste lema desta "pátria de chuteiras", que se afunda mais e mais na indiferença e na apatia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todavia, teremos de ser sempre desse jeito? Não nos será jamais possível, nem mesmo num remoto futuro, neutralizar o escravismo e a cultura clientelista que, desde o início, nos macularam o sangue, debilitando-nos o caráter? Não lograremos nunca dar um basta a essa elite bandida, decapitando, se necessário, ainda que metaforicamente, as suas "cabeças coroadas"? Ou decerto não o faremos precisamente porque, lá no fundo, nós de fato idolatramos esses mesmos que nos pisam, só por sabê-los capazes de conquistar o que desejamos e que não ousamos assumir? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quanto à nossa autoestima? Até quando nos sentiremos "losers", totalmente por baixo, só por falarmos português? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde o 7 de Setembro, nós somos um país. Falta-nos, ainda, embora poucos o saibam, virarmos uma nação. Longe vá temor servil! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CLÁUDIO GUIMARÃES DOS SANTOS, 49, médico, psicoterapeuta e neurocientista, é escritor, artista plástico, mestre em artes pela ECA-USP e doutor em linguística pela Universidade de Toulouse-Le Mirail (França). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4416987233096623736-2140664222272315607?l=perplexidadesereflexoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://perplexidadesereflexoes.blogspot.com/feeds/2140664222272315607/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4416987233096623736&amp;postID=2140664222272315607&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4416987233096623736/posts/default/2140664222272315607'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4416987233096623736/posts/default/2140664222272315607'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://perplexidadesereflexoes.blogspot.com/2009/08/todos-cantam-sua-terra.html' title='Todos cantam a sua terra...'/><author><name>Cláudio Guimarães dos Santos, 1960</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15106137975781084077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_Tk75_V6lESo/StZNINW1zJI/AAAAAAAAACQ/HtXxrfrc7C4/S220/claudioguimaraes-1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4416987233096623736.post-1022330786842514954</id><published>2009-08-28T21:47:00.000-03:00</published><updated>2009-09-06T13:49:44.674-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ARTIGOS Folha de S.Paulo'/><title type='text'>A era das múmias</title><content type='html'>CLÁUDIO GUIMARÃES DOS SANTOS&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;FOLHA DE S.PAULO&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SEÇÃO TENDÊNCIAS/DEBATES&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;01 de janeiro de 2009&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Múmias de todas as classes, deixai de vos rebelar contra o destino! Conformai-vos com a finitude irremediável dos homens, do universo &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O&amp;nbsp;passado, não há dúvida, é muito sedutor, já que se deixa "reescrever" à vontade, sem maiores compromissos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São provas disso as confissões que se fazem a sacerdotes e terapeutas: nelas, os erros se disfarçam de acertos e os fracassos reluzem como sucessos. (Quantos anos de terapia ou de culto não são, às vezes, necessários para que um homem se reconheça como é, moderando o teor fantasista e benevolente dos seus relatos!...) São também evidências da maleabilidade do passado os revisionismos com que topamos, amiúde, em alguns livros de história, em que bandidos e assassinos contumazes são transmutados -como que por encanto!- em exemplos edificantes de heróis martirizados (e vice-versa), ao sabor puro do viés ideológico dos historiadores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais que tendência ligeira, o apego às coisas que já se foram é traço saliente da nossa própria humanidade: do animismo rudimentar à mais elaborada religião, trata-se sempre dos mortos -ainda que lhes chamemos "deuses"- e dos rituais mais ou menos complexos que lhes são devidos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal apego, todavia, pode também vir à luz de maneira patológica: seja como fixação insensata no passado e em tudo que o evoque -tradições, objetos, ancestrais-, seja como desejo (paradoxal) de desfrutar uma eterna juventude, entretendo-se, sem descanso, com "novidades" -um desejo no qual a atração doentia pelo "velho" é substituída, compensatoriamente, pela sede insaciável do "novo". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um exemplo evidente, ainda que nem sempre reconhecido, de fixação malsã pelo passado é a tendência demasiado preservacionista que, já há algumas décadas, vem transformando alguns países do "Ocidente desenvolvido" num verdadeiro "paraíso dos museus". Essa tendência extravasou, recentemente, os limites do "mundo civilizado", atingindo, entre outras "periferias", a cobiçada Amazônia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após terem museificado os seus próprios territórios, alguns ecofilantropos querem, agora, semear os "tristes trópicos" de incontáveis "museus a céu aberto". Buscam, assim, transformar a terra alheia em "patrimônio da humanidade" para seu uso (quase) exclusivo, onde possam dar vazão, durante as férias, a anacrônicos devaneios rousseaunianos, retornando, depois, para o conforto tecnológico dos seus lares. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um pouco mais e será só para esses novos Stings (e suas modernas filmadoras) que os nossos pobres indígenas -condenados, sem escolha, a um eterno arcaísmo- repetirão os seus monótonos rituais, enclausurados em imensas redomas verdejantes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, nos cinturões de favelas que estrangulam as capitais brasileiras, milhões de indivíduos -igualmente cidadãos- continuarão mergulhados na miséria, espremidos entre o desprezo dos poderosos e a "negligência benigna" do Estado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já no caso da negação doentia do envelhecimento, era fatal que, nesta época tão epidérmica -tudo é "questão de pele"-, tal recusa consistisse no esforço em perpetuar a aparência, já que é ela que denota, de modo direto e visível, a indesejada passagem dos anos. E são as "celebridades" -atrizes, políticos, apresentadores de TV, profissionais liberais, intelectuais- os que mais padecem desse mal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assistimos, assim, ao desfile deprimente de rostos inexpressivos, de olhos que não se fecham, de bocas que não sorriem, de ridículos implantes capilares, de magrezas cadavéricas, de peitos emborrachados, de bundas que extravasam a cintura das calças como as bordas de um "soufflé". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ignoro se tais caricaturas, que se apegam à juventude como a criança à chupeta, terão tanto sucesso como os faraós do antigo Egito. Diga-se, porém, a seu favor que, com o auxílio da cosmética e da plástica, elas já lograram, pelo menos, mumificar-se ainda em vida! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, não penso que possamos evitar que tipos como os historiadores revisionistas ou os ecofilantropos continuem a perseguir os seus funestos desígnios: seus espíritos, mais do que seus corpos, é que foram mumificados. Sustenta-os, na sua busca, a doce ilusão de estarem certos. Todavia é possível que, com as outras múmias, nós tenhamos mais sucesso... Quem sabe ainda não é tempo para despertá-las? Dirijamo-lhes, pois, um apelo sincero: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Múmias de todas as classes, deixai de vos rebelar contra o destino! Conformai-vos com a finitude irremediável dos homens, das ideias, das nações, do universo... de tudo, enfim! Permiti que a vida, no seu fluir misterioso, vos transforme de uma vez em pó! Não tendes nada a perder senão o bolor de vossas ataduras! Múmias do meu Brasil, abandonai, para sempre, os vossos sarcófagos!". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CLÁUDIO GUIMARÃES DOS SANTOS, 48, médico, psicoterapeuta e neurocientista, é escritor, artista plástico, mestre em artes pela ECA-USP e doutor em linguística pela Universidade de Toulouse-Le Mirail (França).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4416987233096623736-1022330786842514954?l=perplexidadesereflexoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://perplexidadesereflexoes.blogspot.com/feeds/1022330786842514954/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4416987233096623736&amp;postID=1022330786842514954&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4416987233096623736/posts/default/1022330786842514954'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4416987233096623736/posts/default/1022330786842514954'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://perplexidadesereflexoes.blogspot.com/2009/08/era-das-mumias.html' title='A era das múmias'/><author><name>Cláudio Guimarães dos Santos, 1960</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15106137975781084077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_Tk75_V6lESo/StZNINW1zJI/AAAAAAAAACQ/HtXxrfrc7C4/S220/claudioguimaraes-1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4416987233096623736.post-1420637400769333339</id><published>2009-08-28T21:45:00.000-03:00</published><updated>2009-09-06T13:50:15.874-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ARTIGOS Folha de S.Paulo'/><title type='text'>Ao mestre, com carinho</title><content type='html'>CLÁUDIO GUIMARÃES DOS SANTOS &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;FOLHA DE S.PAULO&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SEÇÃO TENDÊNCIAS/DEBATES&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;24 de outubro de 2008&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Este momento da história é perigoso. Muitos de nós tornam-se tão "civilizados" que nem mais conseguem resistir à barbárie &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outubro,&amp;nbsp;mês em que os ingênuos comemoram crianças e professores, é uma boa época para refletir sobre o triste estado da educação brasileira. Para tanto, será útil examinar de que maneira os principais atores envolvidos entendem esse tema tão complexo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há os que vêem a educação como um mero instrumento para a formação de trabalhadores qualificados -de preferência, com pós-doutorado e MBA-, sem os quais é impossível aumentar a produtividade das empresas. Esses "devotos do progresso" não desejam, portanto, formar indivíduos complexos e transdisciplinares, mas apenas "aleijões especialistas" que se encaixem sem folgas no circuito produtivo-consumista. Há, porém, os que defendem uma espécie de "novo humanismo", concebido como uma reação à visão utilitarista do conhecimento que caracteriza o primeiro grupo. Infelizmente, a maior parte desses "neo-humanistas", entre os quais há muitos educadores, afunda-se cada vez mais num misto de relativismo pós-moderno e rebeldia sem causa, mostrando-se ainda órfã dos movimentos contestatórios dos anos 1960/1970. Por terem confundido -tolamente- autoridade com autoritarismo, esses "velhos revolucionários" já não sabem o que dizer aos professores quando estes são grudados -de verdade!- em suas cátedras ou atingidos por bofetadas (nada democráticas) de adolescentes quadrilheiros que desejam somente direitos e nenhum dever, constituindo, ironicamente, o resultado mais visível das pedagogias libertárias... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há, por fim, os que parecem "estar pouco se lixando" para a questão da educação. Trata-se, todavia, somente de aparência... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exibindo uma alta escolaridade, os membros desse terceiro grupo -banqueiros fraudulentos, políticos desonestos, religiosos impudentes, empresários espertalhões- têm profunda nostalgia do tempo em que o Brasil era "uma ilha de letrados num mar de analfabetos". Por isso, não medem esforços para perpetuar o estado de ignorância do "resto" da população, já que as suas vidas nababescas dele dependem crucialmente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, por meio de leituras abusivas do nobre artigo 5º da Constituição de 1988 -das quais somente os "grandes letrados" são capazes-, essa gangue vai ficando sempre impune e cada vez mais poderosa, dando um exemplo "edificante", sobretudo aos cidadãos mais jovens. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alheios a tudo isso, lá no ventre da "linha de montagem" em que muitos brasileiros são forjados, um punhado heróico de professores -despreparados e mal pagos- continua crendo que ensina a um contingente imenso de alunos, que "colaboram" com os mestres acreditando que aprendem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem falar, é claro, da multidão de governantes "prestimosos" que fingem que se importam... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa tragédia de erros mais ou menos voluntários, acabamos por perder, salvo honrosas exceções, o aspecto essencial do processo educativo: formar indivíduos equilibrados, responsáveis, solidários, criativos, conscientes das imperfeições da natureza humana, mas ainda assim desejosos de construir um sentido para as suas vidas que seja mais denso do que a acumulação de riqueza ou do que a busca desenfreada pela fama. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o resultado dessa perda crucial, nós o vemos diariamente: um número sempre maior de pessoas desprovidas de coragem para enfrentar o absurdo da existência, agarrando-se a qualquer coisa que lhes permita esquecer a irrelevância das suas vidas; que buscam inutilmente nos outros o que só podem obter em si mesmas e que por isso mergulham num egoísmo malsão, que tudo pede e nada dá, que tudo suga e nada fecunda; que abdicam da lucidez em nome de qualquer credo, perdendo-se no anonimato dos rebanhos e entregando-se, por fim, aliviadas, à redenção da mediocridade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espero equivocar-me, mas julgo que vivemos um momento muito perigoso da história mundial, em que a sobrevivência de um pensamento independente e crítico é quase impossível. No caso brasileiro, ao contrário do que se diz, poucas vezes houve um patrulhamento ideológico tão intenso. Apenas ele é, hoje, mais sutil -quase transparente-, já que, graças à "deseducação", a censura não opera mais "de fora", mas "de dentro" das cabeças, coadjuvada pelo massacre midiático do politicamente correto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos de nós tornam-se, por isso, tão "civilizados" que nem mais conseguem resistir à barbárie. Eu lamento, professores e crianças, mas não há muito o que festejar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CLÁUDIO GUIMARÃES DOS SANTOS, 48, médico, psicoterapeuta e neurocientista, é escritor, artista plástico, mestre em artes pela ECA-USP e doutor em lingüística pela Universidade de Toulouse-Le Mirail (França).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4416987233096623736-1420637400769333339?l=perplexidadesereflexoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://perplexidadesereflexoes.blogspot.com/feeds/1420637400769333339/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4416987233096623736&amp;postID=1420637400769333339&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4416987233096623736/posts/default/1420637400769333339'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4416987233096623736/posts/default/1420637400769333339'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://perplexidadesereflexoes.blogspot.com/2009/08/ao-mestre-com-carinho.html' title='Ao mestre, com carinho'/><author><name>Cláudio Guimarães dos Santos, 1960</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15106137975781084077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_Tk75_V6lESo/StZNINW1zJI/AAAAAAAAACQ/HtXxrfrc7C4/S220/claudioguimaraes-1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4416987233096623736.post-4949748188636498890</id><published>2009-08-28T21:43:00.000-03:00</published><updated>2009-09-06T13:50:59.280-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ARTIGOS Folha de S.Paulo'/><title type='text'>Ouro (de tolo) olímpico</title><content type='html'>CLÁUDIO GUIMARÃES DOS SANTOS&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;FOLHA DE S.PAULO&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SEÇÃO TENDÊNCIAS/DEBATES&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;26 de agosto de 2008&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Será mesmo que precisamos de uma Olimpíada? Ou devemos dirigir os recursos para a efetiva melhoria da saúde e da educação? &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Robert Musil já observara que há algo de muito inquietante numa época em que o adjetivo "genial" é empregado bem menos no caso de cientistas ou artistas do que no de boxeadores, futebolistas ou até mesmo cavalos de corrida. Tal inquietação, julgo eu, apenas cresce a cada Olimpíada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que vimos em Pequim esteve longe de ser um congraçamento da humanidade. Foi, antes, uma guerra, ainda que "edulcorada", travada por Estados cada vez mais sequiosos de pavonear o seu poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também lá, por ocasião das "breguíssimas" cerimônias de abertura, os próceres mundiais, acobertados pela hipocrisia do "espírito olímpico", prodigalizaram declarações de confiança na espécie humana perante a massa maravilhada que assistia ("in loco" ou pela TV) ao megashow de "som e luzes".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso da mídia brasileira, salvo exceções, ficou patente a falta de interesse em contribuir para que o povo pudesse penetrar, pelo menos um pouco, na complexa cultura chinesa, bem como nas profundas contradições que envolvem aquele país -um misto de capitalismo selvagem e totalitarismo político. Resumiu-se, quase sempre, como esperado, a reportagens caricatas e banais, a "piadinhas antropológicas", quando não a comentários francamente incultos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há dúvida de que, em nossos dias, as Olimpíadas são um sucedâneo, embora imperfeito, da guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, não fazem senão ocultar as questões que de fato estão "em jogo" nos estádios. Estas, habitualmente, mantêm-se recalcadas, a não ser quando rompem, com a "força do reprimido", a polidez "de rigueur" nos eventos esportivos, como se deu com o atentado terrorista em Munique ou com os boicotes às Olimpíadas de Moscou e Los Angeles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, de jogo mesmo os tais Jogos, além do nome, não têm quase nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falta-lhes, essencialmente, o traço lúdico, tão difícil de ser conceituado, mas tão fácil de ser sentido, o qual se traduz no caráter gratuito da atividade prazerosa que é feita tão-somente por ela mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na falta desse traço, os "Jogos" se transformam numa mera corrida por medalhas, gêmea da corrida armamentista ou da corrida pelo lucro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Servem", assim, quando muito, para avivar rivalidades imbecis -como a que opõe Brasil e Argentina- e que são tão enfatizadas pela crônica esportiva. (Ironicamente, quando as torcidas se trucidam, quase nunca faz a crônica o devido mea-culpa; restringe-se, no mais das vezes, à mera exortação da lei e dos bons costumes, a cujo desrespeito -falta-lhe sempre dizer- ela mesma havia incitado.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O anacronismo das Olimpíadas se esclarece quando lembramos que, nos tempos "quase míticos" da Grécia antiga, a destreza e a força física eram fatores cruciais à sobrevivência das cidades-estado. Os "cidadãos-atletas" defendiam a pólis com suas próprias vidas, em batalhas travadas com espadas, lanças ou mãos nuas. Assim, a precisão em lançar o dardo ou em ter os "pés ligeiros como Aquiles" constituíam requisitos quase intrínsecos à cidadania. Além disso, para os gregos, a excelência física não era vista como um atributo humano isolado, mas devia coexistir com a excelência do espírito, no equilíbrio sutil da Paidéia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, os tempos são outros. Armas poderosíssimas transformaram as batalhas num "jogo" anônimo de sombras que se matam remotamente ao dedilhar dos gatilhos -e, sobretudo, dos teclados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também o cultivo do corpo dissociou-se (é pena) daquele do espírito, degenerando numa obsessão sem sentido. Deixamos para trás, como "moeda sem valor", o desenvolvimento global e equilibrado da pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desse modo, o discutível espetáculo de seres humanos voluntariamente deformados -pois unilateralmente desenvolvidos-, aptos apenas para correr ou para nadar ou para saltar, deveria, em vez de nos embevecer, fazer-nos refletir sobre o rumo que vão tomando as coisas. (Sem falar no sofrimento da "legião" de atletas que ficam pelo caminho, que dão adeus ao ideal insensato do pódio muito antes do início dos Jogos.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, em vista de tudo isso, será mesmo que precisamos de uma Olimpíada? Será mesmo que devemos apoiar políticos narcisistas e empresários gananciosos que pretendem "investir" fortunas em projetos delirantes? Ou devemos dirigir esses recursos para a efetiva melhoria da saúde e da educação das incontáveis crianças que "involuem" nas favelas e grotões esquecidos do Brasil profundo, transformando-as em adultos equilibrados, de corpo saudável e espírito crítico, aptos a enfrentar os desafios que a história nos impõe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Façam as suas apostas! A (nossa) sorte está em jogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;________________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CLÁUDIO GUIMARÃES DOS SANTOS , 48, médico, psicoterapeuta e neurocientista, é escritor, mestre em artes pela ECA-USP e doutor em lingüística pela Universidade de Toulouse-Le Mirail (França).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4416987233096623736-4949748188636498890?l=perplexidadesereflexoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://perplexidadesereflexoes.blogspot.com/feeds/4949748188636498890/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4416987233096623736&amp;postID=4949748188636498890&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4416987233096623736/posts/default/4949748188636498890'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4416987233096623736/posts/default/4949748188636498890'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://perplexidadesereflexoes.blogspot.com/2009/08/ouro-de-tolo-olimpico.html' title='Ouro (de tolo) olímpico'/><author><name>Cláudio Guimarães dos Santos, 1960</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15106137975781084077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_Tk75_V6lESo/StZNINW1zJI/AAAAAAAAACQ/HtXxrfrc7C4/S220/claudioguimaraes-1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4416987233096623736.post-3366328254424587309</id><published>2009-08-28T21:40:00.000-03:00</published><updated>2009-09-06T13:51:46.352-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ARTIGOS Folha de S.Paulo'/><title type='text'>Droga!</title><content type='html'>CLÁUDIO GUIMARÃES DOS SANTOS&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;FOLHA DE S.PAULO&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SEÇÃO TENDÊNCIAS/DEBATES&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;30 de junho de 2008&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Vamos tratar de um assunto espinhoso: a investigação das verdadeiras razões pelas quais as drogas são tão buscadas por nós humanos &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O&amp;nbsp;crescimento exponencial do consumo de drogas, que é tanto maior quanto mais amplo for o significado atribuído à palavra, é um dos temas que mais preocupam a sociedade contemporânea. Curiosamente, o quase-consenso entre os especialistas de que a melhor maneira de diminuir esse consumo é o combate sem tréguas ao narcotráfico faz com que muitos deles se esqueçam -ou prefiram se esquecer...- de tratar de um assunto bem mais espinhoso: a investigação das verdadeiras razões pelas quais as drogas são tão buscadas por nós humanos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal negligência parece-me notável, já que é precisamente a imensa demanda por drogas de todos os tipos -do álcool ao ecstasy, passando pelo videogame, pelos cultos fundamentalistas e pelos livros de auto-ajuda, sem esquecer, é claro, o "futebor"- que faz com que elas se transformem num problema tão importante. E por que isso ocorre? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha suspeita é que essa investigação só pode ser encetada por quem se disponha a colocar em xeque o próprio ethos consumista e competitivo que anima a sociedade em que vivemos. Mas, para tanto, é preciso coragem, pois balançar o alicerce mais bem protegido da nossa civilização pode trazer conseqüências desagradáveis para a saúde dos que ousarem fazê-lo. E coragem -sinto dizê-lo- é um "bem escasso" em nossos dias... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal investigação, evidentemente, não poderá jamais ser realizada com base no utilitarismo objetivista e "industriofílico" que predomina na ciência contemporânea, segundo o qual um "alto índice de produtividade acadêmica" é muito mais relevante do que a qualidade ou a originalidade do que, de fato, é produzido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com efeito, o que esperar de uma época em que muitos dos profissionais de saúde que tratam dos usuários de drogas (concebidas como "coisas ruins") acreditam, de forma ingênua, que as doenças mentais serão, um dia, inteiramente curadas por drogas (concebidas como "coisas boas")? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que esperar dos alienistas cibernéticos, dignos êmulos de Simão Bacamarte, que se contentam em rotular o existir humano, incapazes que são de compreendê-lo, "medicalizando-o" até a náusea? Que se comprazem em atulhar de "transtornos mentais" a já abarrotada psicopatologia, na ânsia de adequá-la às exigências da moda e do mercado? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que esperar desses herdeiros frustros de Paracelso, que são iludidos pelos conglomerados farmacêuticos e vivem sonhando com "pílulas da felicidade" capazes de tratar -para sempre e sem recaídas- o chamado "mal de vivre", que corrói a humanidade desde Adão (ou desde a australopiteca Lucy, para os que preferem um mito fundador "mais científico" para a nossa espécie)? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que esperar desses tecnólogos do espírito, que primeiro se convencem de que as pessoas são computadores e depois se surpreendem quando elas agem -e reagem- como seres humanos? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que esperar desses burocratas da alma, que desconhecem a riqueza conceitual de um Jung, de um Diel, de um Freud; que nada sabem das sutilezas psicológicas de um Stendhal, de um Flaubert, de um Machado; que jamais leram Platão, Hegel ou Heidegger; e que se curvam, por isso mesmo, maravilhados, ao didatismo superficialíssimo da terapia cognitivo-comportamental, essa "sopa" requentada das idéias de Skinner, entremeadas de cognitivismo mal digerido e temperadas com pitadas de neurociência "fashion"? O que esperar de tal visão da natureza humana? Quase nada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, todavia, é justamente nessa visão que a sociedade apavorada -e que não sabe mais para onde fugir, porque tem medo de si mesma- pretende jogar as últimas fichas. Incapazes de controlar os cidadãos por meio do famoso poder de polícia, os dirigentes da sociedade encurralada apelam para essa óptica psicofilosófica míope, na esperança vã de que ela possa auxiliá-los a encontrar algum tipo de "solução final" para o problema das drogas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Buscam, então, eliminar com os traficantes também os incômodos consumidores -que nunca deveriam ter existido!...-, apondo-lhes um rótulo diagnóstico conveniente e relegando-os a alguma "gaveta" taxonômica, da qual, com um pouco de sorte, não sairão jamais, como se fossem lacrados numa (asséptica) câmara de gás... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Agem, assim, tão tolamente quanto os adultos que hipersexualizam as crianças e depois se queixam da explosão da pedofilia...) Perante tudo isso, as pessoas de bom senso decerto lamentarão o estado deplorável em que nos encontramos. Contudo, não desanimemos! Sejamos "proativos e otimistas", como aconselham os "gurus" de plantão... Afinal, as coisas sempre podem piorar... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas que droga! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;________________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CLÁUDIO GUIMARÃES DOS SANTOS , 48, médico, psicoterapeuta e neurocientista, é escritor, mestre em artes pela ECA-USP e doutor em lingüística pela Universidade de Toulouse-Le Mirail (França).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4416987233096623736-3366328254424587309?l=perplexidadesereflexoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://perplexidadesereflexoes.blogspot.com/feeds/3366328254424587309/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4416987233096623736&amp;postID=3366328254424587309&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4416987233096623736/posts/default/3366328254424587309'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4416987233096623736/posts/default/3366328254424587309'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://perplexidadesereflexoes.blogspot.com/2009/08/droga.html' title='Droga!'/><author><name>Cláudio Guimarães dos Santos, 1960</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15106137975781084077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_Tk75_V6lESo/StZNINW1zJI/AAAAAAAAACQ/HtXxrfrc7C4/S220/claudioguimaraes-1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4416987233096623736.post-3740458087986603791</id><published>2009-08-28T21:35:00.000-03:00</published><updated>2009-09-06T13:52:15.428-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ARTIGOS Folha de S.Paulo'/><title type='text'>"Vox populi, vox Dei?"</title><content type='html'>CLÁUDIO GUIMARÃES DOS SANTOS&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;FOLHA DE S.PAULO&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SEÇÃO TENDÊNCIAS/DEBATES&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;25 de abril de 2008&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Um criminoso de "gola branca" e um assassino: por que o povo reage de maneira tão diversa perante esses dois tipos? &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As&amp;nbsp;toneladas de informações de baixa qualidade, "repercutidas" dia e noite, sobre a trágica morte da pequena Isabella não permitem aos que desejam preservar o senso crítico senão concluir que o sacrifício do intelecto é o alto preço que pagamos pela facilidade com que as notícias circulam no mundo contemporâneo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De um lado, está o vergonhoso mercantilismo dos "meios de comunicação", bem mais preocupados em vender o seu "peixe" do que em cumprir o importante dever de informar. De outro, temos a cólera da multidão, ainda ontem tão pacata, que se despe, num segundo, da sua casca de civilidade e clama pelas cabeças dos suspeitos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para explicar a vileza dos abutres da imprensa, que contabilizam, sem culpa, os seus lucros sobre o corpo (ainda quente) de Isabella, podemos lançar mão de Adam Smith ou de Marx. Já a fúria incontrolável das massas exige, para ser entendida, que recorramos a Freud. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se possível, esqueçamos, por um momento, as novelas, as partidas de futebol, as revistas de fofoca, os programas de auditório apelativos, toda a miríade, enfim, de irrelevâncias com que nos "brinda" a mídia onipresente e tentemos pensar um pouco levantando algumas questões. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que a multidão não se volta, com a mesma ira, contra os políticos corruptos, os empresários desonestos, os "religiosos" picaretas, os fraudadores impudentes ou até mesmo -tristes tempos!- contra alguns "magníficos" reitores? Por que não se montam "campanas" com banheiros químicos também na frente das suas casas? Por que não se almeja linchar tais criminosos de "mãos limpas" como se quer amiúde fazer com infanticidas, estupradores e pedófilos? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que os ditos crimes de "colarinho branco" -"limpos" só no nome- acarretam menor dano à sociedade do que os atos isolados, certamente hediondos, de alguns poucos indivíduos, como pensam não só os leigos, mas também legisladores e juristas? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não creio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um assassino, mesmo "produtivo", só consegue destruir algumas vidas, precisamente as que se colocarem ao alcance da mira. Um criminoso de "gola branca", porém, dependendo do tamanho do "golpe", afetará a vida de milhões. Apenas, ele o fará de maneira lenta, menos cruenta, mais palatável à nossa época digital, esmigalhando os futuros de um monte de Isabellas de uma forma "quase indolor". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, se é assim, por que o povo reage de maneira tão diversa perante esses dois tipos de criminosos? As respostas são muitas. Mencionarei a que julgo a mais relevante e que é também, por isso mesmo, a que menos agrada ao senso comum. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas, de um modo geral, sentem-se "mais à vontade" com os "criminosos de gravata". Pensamentos como "a carne é fraca", "eles roubam, mas fazem" e, é claro, o famoso "no lugar deles eu faria o mesmo" acabam por criar uma empatia profunda com tais delinqüentes, tornando-os, muitas vezes, merecedores de sincera admiração. Tal se dá especialmente no Brasil, onde a "esperteza do malandro" é louvada em prosa e verso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já no caso dos crimes hediondos, custa-nos aceitar que também nós podemos cometê-los. E, a não ser que o indivíduo disponha de um real autoconhecimento, obtido a duras penas pela análise corajosa do seu íntimo, jamais admitirá que sente, dormindo ou acordado, todo tipo de desejos inconfessáveis, o que inclui os impulsos infanticidas, parricidas, sadomasoquistas, pedófilos, homossexuais e tudo o mais que a sociedade costuma, em uma época ou outra, abominar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí que essas pessoas que tanto se apressam em apedrejar não pretendem, ao contrário do que crêem, obter a justa punição para os culpados. Buscam, antes, evitar o encontro doloroso com a face mais horrenda da natureza humana, sem o qual nenhuma lucidez é possível. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, compreende-se... É tão mais agradável seguir inconsciente desse fato, afundando sempre mais na doce mediocridade das novelas, das partidas de futebol, das revistas de fofoca... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente para todos nós, as pessoas inconscientes constituem, desde sempre, a grande maioria. Diante disso, fica fácil imaginar o que seria, por exemplo, dos brasileiros se passássemos a ser governados por meio de plebiscitos, num grotesco pesadelo rousseauniano, tal como defendem alguns políticos totalitários que fingem ser democráticos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Vox populi, vox Dei?" Definitivamente não. Precisamos, antes, ser mais humildes, reconhecendo que ainda estamos, enquanto espécie, muito longe de falarmos e de agirmos como deuses. Mas, afinal, o que isso importa, se o show tem que continuar? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;________________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CLÁUDIO GUIMARÃES DOS SANTOS , 48, médico, psicoterapeuta e neurocientista, é escritor, mestre em artes pela ECA-USP e doutor em lingüística pela Universidade de Toulouse-Le Mirail (França).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4416987233096623736-3740458087986603791?l=perplexidadesereflexoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://perplexidadesereflexoes.blogspot.com/feeds/3740458087986603791/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4416987233096623736&amp;postID=3740458087986603791&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4416987233096623736/posts/default/3740458087986603791'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4416987233096623736/posts/default/3740458087986603791'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://perplexidadesereflexoes.blogspot.com/2009/08/vox-populi-vox-dei.html' title='&quot;Vox populi, vox Dei?&quot;'/><author><name>Cláudio Guimarães dos Santos, 1960</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15106137975781084077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_Tk75_V6lESo/StZNINW1zJI/AAAAAAAAACQ/HtXxrfrc7C4/S220/claudioguimaraes-1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4416987233096623736.post-462612789898205314</id><published>2009-08-28T21:31:00.000-03:00</published><updated>2009-09-06T13:53:33.038-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ARTIGOS Folha de S.Paulo'/><title type='text'>Aborto, embriões e o mea-culpa de Janine</title><content type='html'>CLÁUDIO GUIMARÃES DOS SANTOS&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;FOLHA DE S.PAULO&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SEÇÃO TENDÊNCIAS/DEBATES&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;05 de julho de 2007&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Ironicamente, os principais responsáveis por difundir essa imagem distorcida do conhecimento científico são os próprios cientistas &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com&amp;nbsp;a vinda do papa Bento 16, o debate sobre o aborto, bem como sobre a pesquisa científica com os chamados embriões inviáveis, ganhou o destaque que se esperava. De um lado, vociferam os que se dizem defensores intransigentes da vida ("desde a concepção até o seu inevitável declínio"), um grupo bastante heterogêneo, formado não apenas por cristãos, na sua maioria católicos, mas também por fiéis de outras religiões e até por alguns ateus. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do outro lado, estão os que se proclamam guerreiros incansáveis na "cruzada" contra o obscurantismo religioso, os que se crêem verdadeiros "portadores da luz" -que não se percam pela soberba...- e, portanto, detentores inquestionáveis do monopólio da razão. Uns e outros, a meu ver, estão certos e errados, muito embora por motivos que todos eles parecem fazer questão de ignorar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os que sustentam que as verdades da fé também devem ser levadas em conta sempre que é alterado, de forma relevante, o ordenamento jurídico de um Estado estão certos em fazê-lo. Com efeito, toda lei, para ser realmente legítima, não pode passar ao largo das normas religiosas que norteiam as vidas de milhões de cidadãos, ainda que elas o façam "apenas" de fato, e não de direito. Contudo, uma coisa é levar em conta um determinado ponto de vista; outra, muito diversa, é acatá-lo sem crítica ou ponderação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Erram, portanto, os que pretendem abusar do princípio metodológico da "escuta ecumênica", em si mesmo uma importante salvaguarda. Pois não se pode, impunemente, transformá-lo numa espécie de "imperativo totalitário" a serviço de uma única opinião, seja ela a do papa ou a de um Prêmio Nobel. Afinal, as leis que irão disciplinar cada uma dessas duas questões -o aborto e a pesquisa com os embriões inviáveis- terão vigência nacional, aplicando-se, indistintamente, aos seguidores de qualquer credo ou opinião. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estão certos, por sua vez, os que afirmam que é necessário discutir esses temas polêmicos também à luz dos argumentos científicos e da saúde pública, sopesando, com critério, os aspectos relacionados à proteção da saúde da mulher -no caso da legalização do aborto- ou das perspectivas para o tratamento de moléstias crônico-degenerativas -no caso do aproveitamento dos embriões inviáveis. Estão errados, todavia, quando sustentam, certamente imbuídos de um positivismo ingênuo, que a ciência deve sempre ser tomada como o parâmetro absoluto, como o "fiel da balança do próprio Deus". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Equivocam-se, portanto, quando descartam qualquer argumento que não reconheçam como "científico", por julgarem-no desprovido de objetividade, pouco importando o domínio a que se refira. Ao absolutizarem desse modo indevido o poder da ciência, essas pessoas acabam por cometer o mesmo erro que pensavam eliminar, adorando um ídolo no lugar de outro. Ironicamente, os principais responsáveis por difundir essa imagem distorcida do conhecimento científico são os próprios cientistas, muitos deles desprovidos de uma formação filosófica que seja digna desse nome. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tornam-se, por isso, freqüentemente, meros tecnocratas do conhecimento, mais preocupados com a gestão das "verbas de fomento" e a publicação de resultados em "revistas de impacto" do que com a reflexão sobre a natureza complexa da ciência. Além disso, o próprio fazer científico, como qualquer atividade humana, é transitório e imperfeito e precisa, sim, ser fiscalizado pelos membros da sociedade em que se dá. São eles, aliás, num Estado democrático, os únicos a ter de fato legitimidade para fazê-lo, permitindo ou proibindo comportamentos por meio das leis elaboradas pelos representantes que elegem periodicamente. Abrir mão desse princípio significaria admitir que a práxis científica está fora do alcance de qualquer controle ético, o que me parece absurdo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É realmente uma pena que os integrantes desses dois grupos não decidam, vez por outra, ponderar -não somente com a razão mas também com o sentimento- sobre as idéias e as crenças que sustentam. Se o fizessem, talvez se tornassem mais humildes e, com isso, mais capazes de reconhecer os seus equívocos. Assim como o fez Renato Janine Ribeiro, tempos atrás, num corajoso e sincero mea-culpa, publicado neste mesmo jornal, que motivou tão intensas reações, precisamente porque foi lúcido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;________________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CLÁUDIO GUIMARÃES DOS SANTOS, 47, médico, neurocientista e escritor, é doutor em lingüística pela Universidade de Toulouse-Le Mirail (França), professor da pós-graduação em morfologia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e coordenador da Unidade de Reabilitação Neuropsicológica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4416987233096623736-462612789898205314?l=perplexidadesereflexoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://perplexidadesereflexoes.blogspot.com/feeds/462612789898205314/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4416987233096623736&amp;postID=462612789898205314&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4416987233096623736/posts/default/462612789898205314'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4416987233096623736/posts/default/462612789898205314'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://perplexidadesereflexoes.blogspot.com/2009/08/aborto-embrioes-e-o-mea-culpa-de-janine.html' title='Aborto, embriões e o mea-culpa de Janine'/><author><name>Cláudio Guimarães dos Santos, 1960</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15106137975781084077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_Tk75_V6lESo/StZNINW1zJI/AAAAAAAAACQ/HtXxrfrc7C4/S220/claudioguimaraes-1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4416987233096623736.post-6777420972979213696</id><published>2009-08-28T21:25:00.001-03:00</published><updated>2011-03-13T12:56:41.943-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ARTIGOS Folha de S.Paulo'/><title type='text'>Um apelo à razão</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;CLÁUDIO GUIMARÃES DOS SANTOS&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;FOLHA DE S.PAULO&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SEÇÃO TENDÊNCIAS/DEBATES&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;23&amp;nbsp;de&amp;nbsp;novembro de 2003&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Adolescentes que não sofram de nenhum transtorno cognitivo sério são, sim, capazes de entender regras simples&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de haver cursado, por algum tempo, a Faculdade de Direito do largo São Francisco, não pretendo me envolver nas doutas disputas jurídicas que se têm travado em torno da redução da maioridade penal. Contudo o fato de ter passado quase toda a minha vida de médico, professor e pesquisador investigando o funcionamento da mente humana impede que eu me abstenha de manifestar, aqui, a minha perplexidade em relação à manipulação numerológica que parece ocupar parte das pessoas envolvidas nessa discussão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns debatedores parecem acreditar que, durante os velozes 24 meses que separam os 16 dos 18 anos, uma radical transformação ocorreria no psiquismo dos jovens, fazendo com que deixassem para trás a irresponsabilidade e adquirissem, de uma vez por todas, a capacidade de compreender e de aplicar regras sociais elementares, tornando-se finalmente imputáveis. Ora, "pré-conceitos" à parte, os conhecimentos neurobiológicos e neuropsicológicos de que dispomos até o momento não nos autorizam a sustentar semelhante idéia, apontando, aliás, no sentido oposto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não é preciso ser estudioso do comportamento humano para saber que adolescentes que não sofram de nenhum transtorno cognitivo sério são, sim, capazes de entender regras simples -- do tipo "mão na bola, dentro da área, é pênalti" ou "matar é um ato criminoso" -- sendo igualmente aptos a compreender que a desobediência dessas regras acarreta punições: o chute livre a gol, no primeiro caso, e a prisão, no segundo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, a irracionalidade desses debatedores não pára por aí, já que, freqüentemente, as mesmas pessoas que acreditam serem os jovens de 16 anos cognitivamente incapazes para lidar com regras básicas de convívio social também defendem, contraditoriamente, a tese de que eles seriam competentes para votar... Para vermos como essas idéias equivocadas conduzem a situações absurdas, peço que me acompanhem num pequeno "experimento de pensamento". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imaginemos que, num dia de eleição, um eleitor de 16 anos se indisponha com o mesário, de 19, saque um revólver e o mate. Evidentemente, à luz de nossa atual legislação, o precoce assassino faria jus a um tratamento especial, por não ter ainda atingido a maioridade penal. Todavia, se o autor dos disparos tivesse sido o mesário de 19 anos, seria recomendável que ele contratasse os serviços de um bom advogado, pois estaria numa situação muito delicada... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, com base no que conhecemos sobre o funcionamento cognitivo humano, será racional tratar esses dois jovens de maneira tão desigual?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peço que o leitor atente para o fato de que não estou nem mesmo perguntando se é justo proceder assim, o que talvez suscitasse longas discussões sobre o significado da palavra justiça. Em vez disso, estou modestamente indagando se essa desigualdade é justificável do ponto de vista da razão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pior de tudo é que, ao verem a sua inconsistência claramente exposta, esses debatedores lançam um último e desesperado argumento: se reduzida a maioridade penal, estaríamos condenando "indefesos jovens de 16 anos" ao convívio insuportável com criminosos mais velhos e experientes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, não creio que alguém possa negar que as nossas prisões são desumanas e pouco adequadas à eventual reabilitação dos infratores. Todavia, condições carcerárias decentes não devem ser privilégio de nenhuma faixa etária: enquanto seres humanos, todos os presos merecem um tratamento digno. Além disso, a necessária reforma do sistema prisional é um tema que apenas tangencialmente se relaciona com a questão da redução da maioridade penal. Mais ainda, à semelhança do indagado antes, será que jovens de 16 anos diferem tanto assim dos de 18 para que esses dois contingentes recebam tratamento tão diverso? Novamente, não pergunto onde está a justiça dessa posição, mas onde está a sua racionalidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fundo, todos sabemos que jovens de 16 anos, brancos ou negros, pobres ou ricos, são igualmente capazes de compreender que o desrespeito a regras pode acarretar o sofrimento de punições. Não fosse assim, nenhum adolescente conseguiria jogar futebol. Por outro lado, todos também sabemos que, desrespeitando completamente normas elementares de convívio social, jovens de 16 anos cometem atrocidades: a agressão ao índio pataxó em Brasília e o assassinato do casal em Embu-Guaçu são evidências emblemáticas disso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso, pois, ser preciso que as autoridades do Poder Executivo, bem como os nossos representantes no Congresso Nacional, reflitam seriamente sobre esse assunto, em vez de se comprazerem com malabarismos numerológicos, na busca do "Graal" inatingível de uma "maioridade perfeita". Aliás, mais do que refletir, é preciso que eles ajam para que, jovens ou idosos, possamos todos contar com a segurança mínima que nos permita viver com alguma paz. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Considero o estado de violência a que chegamos uma emergência indiscutível, cujo equacionamento não se dará apenas por intermédio das imprescindíveis medidas de longo prazo destinadas a corrigir as graves distorções sociais no país. O que diria um desses debatedores se, após sofrer um infarto do miocárdio, recebesse do médico não os cuidados compatíveis com a urgência de seu caso, mas somente orientações gerais quanto à melhor maneira de prevenir o aparecimento de sua doença?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;________________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CLÁUDIO GUIMARÃES DOS SANTOS, 43, médico, neurocientista e escritor, é doutor em lingüística pela Universidade de Toulouse-Le Mirail (França), professor da pós-graduação em morfologia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e coordenador da Unidade de Reabilitação Neuropsicológica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4416987233096623736-6777420972979213696?l=perplexidadesereflexoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://perplexidadesereflexoes.blogspot.com/feeds/6777420972979213696/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4416987233096623736&amp;postID=6777420972979213696&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4416987233096623736/posts/default/6777420972979213696'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4416987233096623736/posts/default/6777420972979213696'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://perplexidadesereflexoes.blogspot.com/2009/08/um-apelo-razao_28.html' title='Um apelo à razão'/><author><name>Cláudio Guimarães dos Santos, 1960</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15106137975781084077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_Tk75_V6lESo/StZNINW1zJI/AAAAAAAAACQ/HtXxrfrc7C4/S220/claudioguimaraes-1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
